Rodrigo Pacheco: ‘Não há ambiente para aprovação da reforma da Previdência’

Ao contrário do que projetou o senador e presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (RR), o deputado federal e presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), disse não haver “ambiente para a aprovação da Reforma da Previdência neste momento”. Por ser uma Proposta de Emenda à Constituição, o projeto precisa do voto favorável de 308 deputados em dois turnos. O governo não conta com todo esse apoio, avaliou Pacheco nesta quarta-feira (9/8), ao ser entrevistado no programa CB.Poder, da TV Brasília em parceria com o Correio.

“Ainda que a base do governo tenha se mostrado relativamente sólida na votação da denúncia criminal contra o presidente da República (Temer recebeu 263 votos favoráveis), não há aquela quantidade estrondosa de votos para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional em dois turnos, de modo que o governo tem que ver com bastante cautela a possibilidade ou não de se ter 308 votos na Câmara dos Deputados”, avaliou.

Eleições

Para Pacheco, a aprovação fica mais difícil à medida que as eleições de 2018 se aproximam. “Quanto mais se estigmatiza a Reforma da Previdência como algo que viola direitos básicos em um cenário ruim de crise do país, mais difícil fica a aprovação. Então eu não sou tão otimista quanto o senador Romero Jucá”, disse o deputado.

Também em entrevista ao CB.Poder, na última terça-feira, Jucá foi taxativo ao dizer que defende a votação da reforma na Câmara “urgente, em setembro”. Ele ainda minimizou a lacuna existente entre o número de votos dados para barrar a denúncia contra Temer e a quantidade necessária para aprovar as mudanças na Previdência. “Não são apenas os 263 votos contabilizados. Há os deputados que se ausentaram e tem parte dos que votaram contra [o presidente], mas são a favor da reforma”, pontuou.

Rodrigo Pacheco, no entanto, acredita que só uma mudança no ambiente político poderia favorecer a aprovação. “É possível se alterar tanto a realidade de uma semana para outra que pode ser que, na semana que vem, exista um ambiente melhor para se apreciar isso. Hoje, o ambiente não é tão bom”, concluiu.

Nova denúncia e mudanças na CCJ

Ainda na entrevista, o parlamentar de Minas Gerais criticou a “politização da Justiça e a judicialização da política”. A primeira seria exemplificada pelo anúncio prévio da intenção do Ministério Público Federal de oferecer uma nova denúncia contra Temer. Sobre um eventual novo pedido de investigação, aliás, o presidente da CCJ disse que não se pronunciaria enquanto o “fato não se concretizasse”, mas afirmou não haver qualquer vedação à possibilidade de os relatores da análise da primeira denúncia, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) e Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), desempenharem novamente a função.

O deputado foi duro ao comentar as mudanças na composição da CCJ, que acabaram por reverter o placar na comissão em favor de Temer. “É legítimo por parte dos partidos, mas eu sou frontalmente contrário, porque fere a independência do parlamentar e da própria CCJ. É algo questionável do ponto de vista ético”, avaliou. Contudo, ele disse não ter se sentido constrangido por tais mudanças na comissão que preside. “Nada pude fazer e nada poderia fazer para evitar”, disse. “O constrangimento maior para todos os brasileiros é ter o presidente da República denunciado”, completou.

Fonte: Correio Braziliense

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