Meirelles quer interferir na escolha do novo presidente do BNDES

12/01/2018. Crédito: Antônio Cunha/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante coletiva sobre o rebaixamento da nota do Brasil, no Ministério da Fazenda.

Desafeto declarado do presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quer ter voz determinante na escolha do substituto do comandante do banco de fomento estatal, que deve deixar o cargo para concorrer ao Planalto, em outubro, pelo Partido Social Cristão (PSC). Entretanto, o chefe da equipe econômica terá pouco espaço para interferir nesse processo, já que a instituição financeira é vinculada ao Ministério do Planejamento, e Meirelles tem sido visto com certa desconfiança pelo presidente Michel Temer, que não quer vê-lo candidato à Presidência nas eleições de outubro.

Tanto Meirelles quanto Rabello de Castro têm pretensões políticas, ambicionam ocupar a Presidência da República em 2019 e acumulam uma série de atritos nos bastidores do governo. Escolhido para dirigir o BNDES pelo próprio chefe do Executivo, o presidente do banco nunca se calou quando o ministro da Fazenda quis interferir na gestão da instituição financeira.

Atritos

Ao contrário dos demais presidentes de bancos públicos, que nunca discordaram de Meirelles, Rabello de Castro sempre teve posições firmes, mesmo quando foi voto vencido em decisões que afetaram o dia a dia do banco.

Um exemplo disso foi dado no debate travado no governo sobre o processo de devolução de R$ 130 bilhões emprestados ao BNDES pelo Tesouro no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. A restituição dos valores era considerada essencial pela área econômica para manter o deficit das contas públicas federais dentro das metas traçadas.

No começo das discussões, Rabello de Castro se mostrou contrário à medida, argumentando que ela diminuiria a capacidade do BNDES de financiar o setor produtivo, mas, após interferência de Temer, teve de ceder.

Pesa contra Meirelles o fato de que a escolha do substituto do presidente do BNDES ocorrerá perto do período final para exoneração de integrantes do Executivo que desejarem se candidatar em outubro. Com isso, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, que continuará na Esplanada, terá ascendência maior nesse processo. Atualmente, o conselho de administração do banco já é ocupado pelo secretário-executivo do Planejamento, Esteves Pedro Colnago.

Alternativas para a Caixa

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ontem, em Londres, que a aprovação do novo estatuto da Caixa Econômica Federal foi um avanço importante por estabelecer regras claras e transparentes de escolhas dos dirigentes. “O presidente da República continua a poder nomear ou exonerar o presidente da Caixa e, em função disso, nós também definimos diversas normas e critérios de experiência profissional, ética e capacitação técnica. Tudo para profissionalizar
e dar segurança para a Caixa. É um passo à frente”, disse.

Meirelles reafirmou que existe a possibilidade de a capitalização da Caixa não ser feita com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Estamos procurando alternativas”, disse.

O Tesouro Nacional deve abrir mão dos dividendos da Caixa para ajudar o banco a fortalecer seu capital e cumprir as regras prudenciais estabelecidas pela Convenção de Basileia. Segundo dados preliminares, a Caixa deve fechar 2017 com um lucro superior a R$ 10 bilhões, e esse valor seria incorporado como capital nível 1 (melhor qualidade).

Fonte: CB

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