Um mês após queda de viaduto no Eixão, Novacap descarta outros desabamentos

Um mês após a queda do viaduto no Eixão Sul, na altura da Galeria dos Estados, o presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), Júlio Menegotto, afirmou, em entrevista ao Correio, que não há risco de quedas em outras estruturas do Plano Piloto. “Não existe o risco de um colapso. Existe a necessidade de manutenção”, disse. Em 6 de fevereiro, a estrutura cedeu, atingindo dois restaurantes e quatro veículos. Ninguém ficou ferido.

À época do desabamento, voltou à tona um relatório de 2013 do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) que recomendava a manutenção em 13 construções de Brasília. Algumas, segundo o documento, careciam de reparos urgentes. Entre elas, estava o próprio viaduto da Galeria dos Estados. “A ausência de ações de manutenção fica evidente ao se ter acesso aos dados do DER-DF. O órgão apresentou cadastro elaborado em 2009, por meio de vistoria terceirizada, apontando a necessidade de reparo em 72 pontes/viadutos e 17 passarelas, sendo 11 pontes/viadutos e seis passarelas em estado de urgência”, revelou o relatório, concluído cinco anos antes do desabamento.

Em 7 de fevereiro, a convite do Correio, o especialista em infraestrutura e manutenção predial e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Li Chong Lee Bacelar, percorreu as estruturas e fez uma avalição sobre a situação de cada uma delas.

De acordo com a Novacap, no mês seguinte à queda, todos os endereços listados pelo TCDF passaram por vistorias. Alguns deles, inclusive, já receberam reparos. Os resultados dessas vistorias — e o que foi feito nesses locais — serão consolidados em um relatório, que ainda não tem data para ser divulgado. Menegotto, ressalta, porém, que nenhuma dessas construções deverá ser demolida. “Em todas poderá ser feita uma recuperação. Em algumas, a recuperação será mais rápida, conforme a urgência”, destacou.

Entre as construções apontadas pelo relatório que já receberam algum tipo de intervenção, estão a Ponte do Bragueto — cujos trabalhos de recuperação foram iniciados em 11 de fevereiro — e a Ponte Honestino Guimarães (antiga Ponte Costa e Silva), onde foram instalados sensores de monitoramento. “O monitoramento eletrônico servirá para acompanharmos dia a dia se há alguma alteração na ponte, se é necessária alguma intervenção”, explicou Menegotto em 12 de fevereiro.

No dia seguinte à queda do viaduto da Galeria dos Estados, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou que o GDF destinaria R$ 50 milhões para obras nos viadutos e pontes. O dinheiro, segundo o chefe do Executivo local, viria da reserva de contigência. Também na ocasião, o governador afirmou que das 13 obras pedidas pelo TCDF, quatro já haviam sido realizadas — entre elas a do estacionamento em frente ao Conjunto Nacional.

Desabamento e reconstrução
O viaduto do Eixão Sul que passa sobre a Galeria dos Estados desmoronou no final da manhã de 6 de fevereiro. Desde então, o GDF demoliu e removeu o bloco que cedeu, mas ainda agurda um relatório que será elaborado por técnicos da Universidade de Brasília (UnB) para decidir se é viável e seguro reaproveitar as lajes que permaneceram em pé, ou se o mais indicado é derrubá-las e erguer novas esruturas. A expectativa é de que esse relatório seja concluído nesta quarta-feira (7/3).

Na última sexta-feira (2/3), em uma coletiva de imprensa, o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF) — que integra o grupo de trabalho para a reconstrução do viaduto —, Márcio Buzzar, não estabeleceu um prazo para quando a obra será entregue, mas disse que a intenção do governo é concluir os trabalhos até o fim do ano. “Temos um relatório prévio. Houve consenso em reaproveitar a fundação e os blocos que sustentam a fundação. Houve consenso, também, em aproveitar o núcleo central do pilar e em descartar as partes que romperam. A UnB vai investigar o tabuleiro para saber se recuperamos ou fazemos um novo. Esse item ficará pendente”, disse. Buzzar assumiu o cargo logo após o incidente na Galeria dos Estados, quando o então diretor do DER Henrique Luduvice foi exonerado pelo governador Rodrigo Rollemberg.

Fonte: CB

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