FMI prevê crescimento maior para o Brasil neste ano: 2,3%

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou as projeções de crescimento do Brasil em seu relatório semestral Panorama Econômico Global, mas ainda está mais pessimista que o governo e o mercado. Para este ano, prevê expansão de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB), dado 0,4 ponto percentual acima do 1,9% estimado em janeiro. Em outubro de 2017, quando foi publicado o último relatório semestral, a previsão do Fundo para o país era de crescimento de 1,5%.

As estimativas do FMI para o PIB do Brasil em 2019 também foram elevadas em 0,4 ponto percentual, passando de 2,1%, em janeiro, para 2,5%, em abril. Em relação aos dados de outubro, a alta foi de 0,5 ponto. De acordo com órgão, a melhora nas estimativas é decorrente ao aumento do consumo e dos investimentos privados. No entanto, as novas projeções são conservadoras e estão abaixo da expectativa dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, que consta nos parâmetros do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do ano que vem, de crescimento de 3% em 2018 e em 2019. A mediana das estimativas do mercado para a economia coletadas no boletim semanal Focus, do Banco Central, é de alta de 2,76% neste ano e de 3% em 2019.

O Fundo manteve as perspectivas de janeiro para o crescimento global em 3,9%, tanto em 2018 quanto em 2019. Esses indicadores mostram que o Brasil continuará com taxas de expansão inferiores às da média mundial e às dos países em desenvolvimento. Conforme os dados do Panorama Econômico Global do FMI, os mercados emergentes devem crescer 4,9%, em 2018, mesmo índice estimado em janeiro, e avançar 5,1% no ano que vem, dado 0,1 ponto acima dos 5% previstos em janeiro, devido “à melhora da demanda externa”. Segundo o órgão, a expectativa é de que a média de expansão dessas economias se estabilize em 5% “no médio prazo”.

A taxa de crescimento da América Latina estimada pelo Fundo teve uma leve melhora, apesar das perspectivas piores para a Argentina e a Venezuela. Passou de 1,9% para 2%, em 2018, e de 2,6% para 2,8%, em 2019. O Fundo reduziu de 2,5% para 2% a previsão de crescimento da economia argentina em 2018 em relação ao relatório de outubro, “devido ao efeito da seca sobre a produção agrícola, assim como as necessidades fiscais e monetárias para melhorar a sustentabilidade das finanças públicas e reduzir a inflação elevada”. “Posteriormente, o crescimento deverá se recuperar gradualmente para 3,3% no médio prazo”, informou o órgão. A previsão de queda do PIB da Venezuela em 2018 passou de 9% para 15%, em 2018, e de 2% para 6%, em 2019, devido à forte crise que levou ao colapso na produção e na exportação do petróleo desde 2014.

A divulgação desse relatório faz parte do encontro semestral do FMI, que reúne ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais dos 189 países membros do órgão. Neste ano, as reuniões do evento de primavera (no Hemisfério Norte) ocorrem entre os dias 20 e 22 deste mês.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, embarca rumo à capital dos Estados Unidos para participar do encontro nesta quarta-feira (18/04). Já o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, começou sua agenda nos EUA na segunda-feira (16/04), em Nova York, onde participa de eventos com investidores. De quarta-feira até sábado, ele ficará em Washington, na reunião de primavera do FMI e do encontro do G20, grupo das 19 principais economias do planeta mais a União Europeia.

>>Principais previsões do FMI para a economia global

Taxas de crescimento (Em %)

2017          2018          2019

Mundo            3,8            3,9              3,9

Economias desenvolvidas 2,3 2,5 2,2

Estados Unidos   2,3      2,9           2,7

Zona do Euro       2,3       2,4         2,0

Alemanha              2,5       2,5         2,0

Economias emergentes 4,8    4,9    5,1

Rússia                    1,5        1,7            1,5

China                     6,9        6,6          6,4

Índia                       6,7        7,4          7,8

África do Sul.        1,3         1,5           1,7

América Latina.    1,3         2,0        2,8

Brasil                       1,0         2,3        2,5

México                     2,0         2,3        3,0

Fonte: Panorama Econômico Global (World Economic Outlook)

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