Adversários reagem a críticas do governador Rodrigo Rollemberg

O tom político das declarações do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) em entrevista publicada, ontem, pelo Correio, provocou uma reação feroz da oposição. Alvos do chefe do Palácio do Buriti rebateram as colocações com críticas à atual gestão. O vice-governador Renato Santana (PSD), o pré-candidato ao GDF Jofran Frejat (PR) e o distrital Chico Vigilante (PT) apontaram a ingratidão do socialista a políticos que alavancaram sua candidatura ao longo dos últimos anos. O senador Cristovam Buarque (PPS), por sua vez, preferiu falar pouco: “Quem conhece meu trabalho e o do governador saberá fazer a comparação”. A seis meses das eleições, o bate-boca fechou as portas para as improváveis reconciliações dos ex-aliados que trocavam farpas, ainda que de forma comedida, há meses.
Indicado pelo PSD ao posto de número dois na chapa de Rollemberg às vésperas do pleito de 2014, Renato Santana recebeu do governador a classificação de inexperiente e imaturo para o cargo de vice. A resposta à crítica estava na ponta da língua: “É mais elegante assumir as falhas do que apontar culpados”, disse. Alegou, ainda, “andar na rua com a cabeça erguida, coisa que Rollemberg não consegue fazer”. “Esse vice imaturo está reunido com doze partidos em torno de uma nova proposta para Brasília. Frejat também tem grandes políticos ao seu lado. Por que o mandatário, que tem a máquina pública nas mãos, não consegue apoio?”, ironizou.
O vice-governador justificou o rompimento com “a falta de compromisso de Rollemberg”. “Não dissemos para a população que aumentaríamos a passagem do transporte público por duas vezes. Por isso, critiquei a medida e sugeri uma auditoria no DFTrans e na Secretaria de Mobilidade. Com a fraude na bilhetagem, tenho a impressão de que aquela opinião deveria ter sido levada em consideração. Esse é apenas um dos exemplos”, alfinetou.
Para Santana, o governador falha ao mostrar ingratidão aos antigos aliados. “Foi esse vice que abriu as portas de Ceilândia para que ele conseguisse êxito na campanha. Não tenho procuração para falar pelo PT, mas Rollemberg se elegeu por vezes sob a tutela desse partido. Rollemberg fala mal de Cristovam hoje, mas ganhou projeção política quando ocupou a Secretaria de Turismo no governo dele”, emendou.
Tachado por Rollemberg como um senador que não encontrou soluções para Brasília no momento de crise econômico-financeira, Cristovam Buarque (PPS), eleito na chapa de Rollemberg em 2010, reclamou: “Queria que ele tivesse executado as emendas que consegui para educação, esporte, saúde. Estão nos cofres”.

Retrocesso político

Sobre o pré-candidato ao Palácio do Buriti Jofran Frejat (PR), também houve alfinetadas. Rodrigo Rollemberg disse que “a população está vendo as construções e os aliados de cada candidato”, em referência ao fato de a campanha ser costurada pelo ex-governador José Roberto Arruda (PR) e pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB), denunciados pelo superfaturamento do Estádio Nacional Mané Garrincha, na Operação Panatenaico.
Em resposta, o ex-secretário de Saúde saiu em defesa dos aliados e alegou que o governador “foi infeliz nas colocações”. “Eu nunca participei de nenhum governo deles. Não tenho outra relação a não ser a de apoio. Apoio, você recebe e aceita. E outra: já foram julgados e condenados? Houve inúmeros casos de alvos de investigação que acabaram absolvidos. Não cabe a nós julgá-los”, pontuou.
Frejat ainda fez uma analogia aos casos de corrupção descobertos no segundo escalão da gestão socialista. “E o pessoal do DFTrans do Espírito Santo que participou da gestão? Veio por convite ou disco voador? Não digo que a culpa seja de Rollemberg, mas eles participaram do governo”, afirmou.
O ex-secretário de Saúde também ressaltou que, por trás das críticas à sua chapa, não há fundamentos jurídicos, mas políticos. “Ele foi eleito, em 2010, numa chapa em que grande parte dos que ele condena o apoiaram, como Agnelo, Filippelli e Cristovam. Não prestam mais porque escolheram se aliar a outros políticos?”, questionou.
Questionado sobre a viabilidade do apoio do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), que desembarcou da base aliada em outubro último, Rollemberg defendeu a união das siglas de centro-esquerda. “Considero que o movimento coerente na política da cidade é que as forças progressistas possam superar as suas diferenças para estarem juntas, evitando um retrocesso político no DF”, pontuou.
Indiretamente, o governador alfinetou a aproximação do pedetista, que postula o Senado, com o grupo político de Frejat. “Seria muito ruim para a cidade que as forças vinculadas à corrupção, que as forças que colocaram Brasília nas páginas policiais retornassem ao comando do governo justamente depois de o Estado, com um sacrifício muito grande, ter sido saneado”. A reportagem não conseguiu contato com Joe Valle para repercutir a colocação.

Espólio petista 

Eleito deputado federal em 2006 e senador em 2010 com o apoio do PT, Rodrigo Rollemberg disse não desejar firmar uma aliança com o partido outra vez. Na visão do governador, “grande parte da crise que o país está vivendo é de responsabilidade petista”. Petistas não gostaram.  “Ele destoa dos outros governadores do PSB, como Paulo Câmara (Pernambuco) e Ricardo Coutinho (Paraíba), que estiveram em Curitiba para visitar o ex-presidente Lula, em ato de solidariedade. Justamente Rollemberg, que fez parte do governo Lula como secretário no estratégico Ministério de Ciência e Tecnologia durante a gestão do ministro Eduardo Campos”, lembrou o distrital Chico Vigilante, em nota.
Para o parlamentar, o governador “tenta mascarar sua incapacidade política atacando os outros”. Vigilante desqualificou as melhorias apontadas por Rodrigo Rollemberg, como a universalização de educação infantil para crianças de quatro e cinco anos, o alto número de escrituras entregues e a otimização da Saúde. “Acredito, após todas as declarações dadas na entrevista, que ele more em outro planeta, ou não viva no Distrito Federal. Seria bom que, nestes últimos sete meses de governo, ele pare de perseguir os sindicatos e trabalhadores e passe a governar, coisa que ainda não fez”, concluiu.

Rollemberg diz:

Sobre aliança com o PT:
“O afastamento do PT é positivo para o país, neste momento. O PT teve sua oportunidade e hegemonizou parte do período político da história do país. Tem uma contribuição. Não podemos deixar de reconhecer os avanços sociais  produzidos no governo Lula. Mas, hoje, grande parte da crise que o país está vivendo é de responsabilidade do PT. Então, neste momento, não considero que seja positiva essa aliança”
Sobre Cristovam Buarque (PPS/DF):
“O Brasil viveu a maior crise política e econômica de sua história. Cristovam era senador. Qual foi a contribuição efetiva que o Cristovam deu na solução dessa crise, no apontamento de caminhos? Brasília sofreu os impactos das crises ao longo dos quatro anos. Cristovam é uma pessoa experiente, já foi governador. Qual foi a colaboração, a contribuição que ele deu a Brasília nesses quatro anos? Acho que ele será cobrado pela população de Brasília em relação a isso”
 
Sobre o vice-governador Renato Santana (PSD):
“Ficou muito claro que o Renato Santana não tinha maturidade ou experiência para ser vice. Acho que o cargo acabou subindo à cabeça. Diria que o momento que, para mim, foi bastante simbólico, foi quando me ausentei e passei o governo para ele. Havia uma visita marcada com o ministro da Saúde na cidade de Brazlândia, no momento em que Brasília estava sendo vítima de casos de dengue. Um proprietário de uma loja de pneus me ligou e contou, chorando, que se sentiu ofendido e enganado, porque o vice passou lá, pediu que ele colocasse os pneus na frente da loja, porque passaria um caminhão para recolhê-los, e, depois, passou na frente, com toda a mídia, acompanhado do ministro, e deu uma bronca no cara, porque ele colocou os pneus ali. Fiz questão de fazer uma visita à pessoa para pedir desculpa. Naquele momento, ficou claro que Renato não tinha maturidade. Qual a confiança de sair e passar o governo para uma pessoa que tem capacidade de fazer isso?”
Sobre os aliados do adversário Jofran Frejat (PR):
“Seria muito ruim para a cidade que as forças vinculadas à corrupção, que as forças que colocaram Brasília nas páginas policiais retornassem ao comando do governo justamente depois de o Estado, com um sacrifício muito grande, ter sido saneado”
Fonte: CB

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