PIS/Pasep: especialistas indicam a melhor forma de usar o dinheiro

Com o objetivo de movimentar o consumo e, consequentemente, estimular a economia, o governo decidiu flexibilizar ainda mais os saques dos programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). A expectativa para esta fase é de que sejam liberados R$ 34,3 bilhões a 25 milhões de brasileiros de todas as idades, que trabalharam com carteira assinada entre 1971 e 1988, bem como servidores da ativa durante o mesmo período.

Para descobrir se é beneficiário e quanto tem a receber, basta que o cidadão consulte o Banco do Brasil, no caso do setor público, e, a Caixa Econômica Federal, do setor privado. Antes da lei sancionada, só podiam resgatar o recurso aposentados, homens e mulheres com 60 anos ou mais, pessoas com invalidez ou doença grave. Caso o cotista tenha falecido, o herdeiro tem o direito de reivindicar o pagamento.

Fábio Bentes, chefe da Divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), avalia que a medida pode ter impacto significativo na economia, mas que não mudará o rumo do consumo a curto prazo. “Assim como o FGTS não mudou. É uma ordem de grandeza parecida e uma medida que se deu em um momento importante de dívidas das famílias brasileiras e, por isso, em vez de 80% ou 70% serem canalizadas para o consumo, a maioria foi para quitação de dívidas”, compara.

No entanto, ele não nega que a liberação do PIS-Pasep pode representar um respiro para o comércio. “Será algo mais concentrado em um período curto. O comércio varejista projeta crescimento de 7,4% no acumulado do ano e isso é sustentável. Para manter isso, a lei sancionada tem de ser alinhada à inflação e juros baixos e retomada de empregos”, analisa. Na opinião de Bentes, o que faria com que o comércio conseguisse fechar o ano com um crescimento maior seria a melhora no mercado de trabalho.

Planejamento

Com o dinheiro extra na conta, especialistas alertam que é preciso planejar o uso do valor de acordo com a situação financeira de cada um. Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e do canal Dinheiro à Vista, indica que há algumas opções de acordo com o perfil da pessoa: endividada, até mesmo inadimplente; sem dívida, mas sem intenção de guardar; e investidor. “Saber o perfil é o primeiro passo para definir que caminho seguir”, explica.

Para ele, o consumidor investidor é o único que pode se dar ao luxo de uma extravagância. “Ele já tem o dinheiro guardado, então ele pode utilizar o recurso extra para comprar sonhos, viagens, completar o valor que falta para algum objetivo ou acelerar os objetivos futuros. Esse é o caso fácil”, diz. Ele define a pessoa que não tem dívidas, mas não guarda dinheiro, como um consumidor equilibrado. “Para ele, é uma grande oportunidade de guardar dinheiro, já que nunca fez isso. Pode ser um bom momento para se transformar em investidor, a aposentadoria é um bom começo”, sugere.

Ricardo Rocha, educador financeiro do Insper, lembra que, caso o dinheiro extra vá ser destinado ao consumo, é importante priorizar o que vai ser comprado. “Tem que ser uma coisa que faça sentido, a família precise daquele item. É comum a pessoa receber um valor extra, comprar algo mais caro do que o dinheiro que entrou e parcelar o resto, isso representa um risco de adquirir novas dívidas. O extra não deve incentivar o consumo descontrolado”, ressalta.

Rocha não recomenda que o dinheiro seja utilizado para gastos no dia a dia. “A não ser que seja um gasto com algo importante e que em algum outro momento já fosse ser comprado com outro dinheiro, acho interessante guardar o dinheiro, mas óbvio que vai da realidade de cada pessoa”, afirma.

Na visão de Domingos, a pessoa que está endividada e consegue honrar o pagamento não deve usar para antecipação de dívidas. “Antecipar prestações é um erro. Você já contraiu uma prestação e isso está dentro do orçamento”, opina. Com cerca de 61 milhões de inadimplentes no Brasil, ele diz que o dinheiro pode servir para uma reserva estratégica. “Não adianta pagar dívida vencida, você não combate a causa do problema. Uma renegociação da dívida inadimplente é interessante, mas de forma a preservar o recurso financeiro, para ser sustentável para você e não te deixar mais vulnerável”, aconselha.

A doméstica Maria Cleide Pereira Santos, 50 anos, trabalhou com carteira assinada apenas um ano do período determinado. Mesmo sem saber quanto tem a receber, garante que já sabe como vai usar o recurso extra. “Se tiver direito mesmo a esse dinheiro, não importa o valor que seja, eu com certeza vou pagar as contas”, afirma.

A empresária Leonor Machado, 51, diz que ficou sabendo da lei pelos jornais e embora tenha achado o valor total a ser liberado bom, acredita que a cota dela será pequena. “Nem acho que compensa, se der muito trabalho eu nem vou atrás. Seria um valor extra na conta, mas tão pequeno que nem tenho planos de onde usaria e acho que não fará falta”, diz.

Domingos analisa que não buscar esse direito é um sinal da falta de educação financeira da população brasileira. “É imprescindível buscar os recursos disponíveis para ter melhores condições de vida. Acredito que muitas pessoas não sacaram o valor por falta de informação. Portanto, é preciso divulgar para que os que mais necessitam não percam esse direito”, explica.

Valorização

Ricardo Rocha, diz que, a partir de R$ 50, o consumidor tem que ir buscar o dinheiro. “É lógico que se tenho R$ 10 para resgatar e a condução vai custar R$ 8, eu diria que não compensa. Mas as pessoas precisam dar mais valor ao dinheiro, ele foi adquirido por mérito e esforço”, constata.

A analista de sistemas Fabíola Bezerra Martins, 51, também confessa que ainda não foi atrás para saber o valor que poderá sacar, mas acredita que será baixo. Como o dinheiro é extra e, até o momento, ela e a família têm conseguido pagar as contas, acredita que a melhor opção é guardar o dinheiro. “Dependendo do valor, podemos deixar em uma conta poupança mesmo ou, se for algo mais significativo, pensar em um título, que é sempre interessante”, conta.

Paulo Sain, sócio do Minhas Economias, recomenda um colchão para imprevistos. “Nunca se sabe como vai ser o futuro, então, é bom estar prevenido para qualquer contratempo. Mas acho que essa reserva para emergências é válida para quem já quitou as dívidas e se encontra com uma maior estabilidade financeira”, pondera.

Fonte: CB

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