Enfrentando o medo de falar em público

Glossophobia é o termo técnico que designa o “temor de falar em público”. A palavra glossophobia vem do grego (glossa, significando língua e phobos, significando temor, pavor). Glossophobia é também um sintoma de “ansiedade de performance”, isto é ansiedade, medo ou fobia persistente, que antecede a performance frente a um auditório ou uma câmera.

Glossophobia é sintoma de “ansiedade de performance”

Manifesta-se no receio de mostrar-se, de ser observado e de tornar-se o centro das atenções. Não é genético ou inato, mas conseqüência de formação inadequada. O maior entrave é não acreditar poder superá-lo.

Este medo é uma visão distorcida da realidade interna e externa e que bloqueia a expressão integral do indivíduo.

Quando “obrigado” a falar em público, o portador do medo inibe-se, sente-se travado, perde a naturalidade. É uma dificuldade que impede a conquista do espaço social e, principalmente, o progresso profissional.

Principais características da presença do medo:

Esse estado psicológico de temor, chegando até mesmo à fobia, tem inúmeras manifestações como:

Arritmia ou palpitação cardíaca;
Tremor nas mãos e pernas;
Diarréia, tiques nervosos na face, garganta seca ou excesso de saliva;
Intensa ansiedade;
Mãos, rosto e axilas suadas em demasia;
Mudança da cor do rosto: ficar pálido, branco ou vermelho;
Não saber como e onde posicionar as próprias mãos;
Sorrir demasiadamente ou semblante muito fechado;
Perder a seqüência de idéias: “deu um branco”;
Impaciência, pressa na abordagem do assunto, desejo manifesto de terminar logo o discurso;
Ter receio dos olhares dos ouvintes, voz embargada, rouquidão, pronúncia errada das palavras;

Como se pode perceber, o medo/ansiedade de falar em público não é problema menor. Muito ao contrário, é um problema sério e que exige disciplina, orientação e trabalho persistente para supera-lo

Demóstenes, com a boca cheia de seixos, queria calar o mar

Não foi por outra razão que começamos relatando o dramático esforço de Demóstenes, reconhecido por todos como o maior orador da Antiguidade Clássica, para superar a insegurança crônica de que sofria para falar em público, o pavor que o acometia cada vez que discursava e a crítica impiedosa que fazia de si mesmo.

São reações tão fortes que, não poucas vezes, as pessoas que sofrem deste problema desistem de seguir carreiras, que implicam necessariamente no ato de falar para auditórios, como as carreiras de professor, artista, e, no que mais nos interessa a carreira da política e da vida pública. Como então lidar com essa dificuldade até chegar a superá-la? Embora a superação final do problema deverá resultar de um processo pessoal de aprendizado, persistência, disciplina e treinamento, extraímos do texto do curso, algumas sugestões que poderão ser úteis.

Grande orador, Churchilli fracassou em seus primeiros discursos na Câmara dos Comuns (Inglaterra)

Confiança em si mesmo – Este é o sentimento mais importante, é a questão decisiva. Adquirir confiança em si mesmo para falar em público. O problema existe, você convive com ele e faz concessões a ele já por muitos anos, mas você não se conforma com a situação. O problema agora deixou de ser um desconforto para tornar-se um obstáculo que pode impedi-lo de alcançar seus objetivos. Você sente que precisa fazer alguma coisa, mas não encontra dentro de si os meios e a suficiente confiança para superá-lo. É por ai que começa sua luta. Você precisa buscar esta confiança. Procure na sua vida outros momentos em que você enfrentou um problema difícil, que parecia impossível de resolver, e, que, você acabou superando. Reconstitua esses momentos passados e recupere a lembrança do quanto eram aterrorizadores antes de você superá-los e o quanto se tornaram simples de lidar, depois que você os superou. Reforce assim sua vontade de enfrentá-lo e a sua confiança pessoal

Estude o assunto – O Exemplo de Demóstenes é extremo nos dois sentidos: no quanto se sacrificou para aprender e na excelência e glória que atingiu. O conhecimento que você adquirir sobre oratória não terá o poder de dissipar a ansiedade e o temor de falar, mas, uma vez rompido o bloqueio, vai acelerar e aprofundar o seu progresso. Leia biografias de oradores célebres. Você vai se surpreender com a quantidade de grandes e famosos oradores que tinham problemas semelhantes aos seus.

Pratique falar para outros – Primeiro para o espelho, depois para os íntimos, e mais tarde para amigos, (sempre o mesmo texto) e só então para o gravador e vídeo. Se você tem problemas para falar em público, não há como avançar sem praticar. Quando sentir-se mais seguro fale para o gravador, e, só mais tarde, com mais experiência, use o vídeo. Para quem estiver se preparando para uma campanha próxima, treinando sozinho a prática da oratória, desaconselho o uso do vídeo.

Disraeli, ministro preferido da Rainha Victoria, nem terminar seu discurso conseguiu…

Domine o tema que vai abordar – Se você domina o assunto sobre o qual vai falar, se o conhece muito mais do que o público que o ouve, você ganha um poderoso auxiliar para reforçar sua confiança.

O conhecimento específico – A segurança que você possui sobre a natureza do assunto assim como seus principais argumentos é um importante fator de redução da ansiedade, e dos sentimentos de temor. Esta condição, ao colocá-lo em posição de superioridade face aos seus ouvintes, contribui para aumentar a sua auto-confiança. Aquela sensação pânica de, de repente “dar o branco”, perder a linha de raciocínio, ficar sem palavras, é significativamente diminuída quando o tema tratado é de seu domínio.

Fonte: Política para Políticos

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