Fenômeno eleitoral e das redes sociais, Doria tem apoio em 14 estados

Com os olhos em 2018, o mundo da política tem sido de flertes. Em julho, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), esteve perto da principal cadeira do Palácio do Planalto. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), é a novidade. Fenômeno eleitoral e das redes sociais, o tucano ainda não conseguiu conquistar os medalhões do próprio partido para se cacifar como candidato nas eleições presidenciais do ano que vem, mas tem chamado a atenção de concorrentes, como o PMDB e o DEM. Além de contar com o apoio de empresários no país, para especialistas, Doria carrega no nome um dos critérios mais almejados atualmente: o sentimento de renovação.

A divisão interna no PSDB apimenta ainda mais o assédio com outras legendas. A divergência de opinião entre os cabeças-pretas e os cabeças-brancas — cada vez mais latente — potencializa o cerco em torno do prefeito. “Hoje, a cúpula comandada pelo senador Aécio Neves (presidente licenciado), é um entrave para o Doria. E tem também aquela história de que o Alckmin está na fila e esse partido tem tradição em respeitar as filas. Mesmo que isso signifique perder, como foi nas últimas quatro vezes”, comenta um tucano que prefere não se identificar.

Entretanto, o tucano próximo ao prefeito afirma que esse movimento nasceu de baixo para cima no partido para pressionar a cúpula a entender o sentimento de renovação em voga na sociedade. “Ele não cogita sair do PSDB. Não faria sentido da forma como as coisas estão colocadas hoje. Ele se apresenta como um cara novo, que não é político, como vai concorrer pelo PMDB, por exemplo? No mínimo, prejudica o discurso da ética. No mínimo. No DEM, será acusado de traidor. A estratégia é mais para pressionar o PSDB mesmo”, comenta.

Suporte

E não é só o sucesso na internet que faz de Doria um partidão para legendas com o projeto de chegar ao Palácio do Planalto. Ex-presidente e fundador do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), que reúne as principais empresas do país em mais de 25 frentes de atuação, Doria conta com uma rede de apoio em 14 unidades da Federação. E suporte de gente com influência e dinheiro, fator que fará a diferença nas eleições do ano que vem, considerando que o financiamento empresarial de campanha é proibido.

Na disputa para a prefeitura de São Paulo, em 2016, o prefeito teve R$ 5,9 milhões em doações. A maior quantia foi investimento do próprio bolso — mais de R$ 2,9 milhões, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O restante ficou dividido em doações de partidos políticos (R$ 1,5 milhão) e de pessoas físicas (R$ 1,5 milhão). Pela atual lei eleitoral, os empresários amigos de Doria podem doar valores para a campanha com o limite de 1% da quantia declarada no imposto de renda. “E ele tem uma rede de relacionamentos sem igual no país”, lembra o amigo correligionário.

No fim de junho deste ano, o paulistano esteve em Brasília, onde foi recebido em um almoço pelo presidente regional do Lide, o ex-vice-governador Paulo Octávio. Mais de 150 empresários da capital estavam presentes — a maioria da construção civil — quando Doria foi anunciado como pré-candidato ao Planalto no ano que vem. A rede é ampla e influente, mas a matemática não é simples. Ao assumir a prefeitura de São Paulo, Doria abriu mão do Lide, se afastou e, dentro do próprio grupo, há divergências.

A representação na Bahia, por exemplo, é mais fiel ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. E, mesmo assim, o peso baiano não contaria muito, já que a fonte de recursos praticamente secou depois que a Operação Lava-Jato revelou o envolvimento da OAS e da Odebrecht em esquemas de corrupção. Na filial do Mato Grosso, quem manda é o agronegócio, ou seja, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), que andou conversando recentemente com Alckmin a respeito de uma chapa para 2018 também.

Relevante

Na opinião do professor de comunicação e marketing digital da ESPM Marcelo Vitorino, o apoio do empresariado é importante, mas não garantiu resultados nos últimos anos. “É muito bom, mas, em uma eleição tão grande, não é tão preponderante. A vantagem do Doria não é só essa. É a vontade do povo pelo novo. O movimento 2018 é de renovação e ele vem carimbado com essa marca.” Vitorino afirma que está clara a intenção de Doria em ser candidato à Presidência e tem grandes chances de ser pelo PSDB. “O partido cansou de perder e já mostrou que pode abrir mão do medalhão com a eleição do próprio Doria.”

O cientista político e professor do Insper Carlos Melo também ressalta que o apoio do empresariado não significou vitória nas últimas disputas. “É importante, claro que tem um peso no jogo, mas não define eleição. E tem mais. O apoio deles não é restrito ao Doria. Imagina Lula e Bolsonaro candidatos se o setor não estaria ao lado do Alckmin?”, questiona. Para Melo, os cenários para as eleições de 2018 ainda estão muito incertos e qualquer previsão é blefe. “Tem um monte de jantares, encontros, flertes e paqueras, mas, por enquanto, ninguém foi pedido em casamento.”

Cabos eleitorais em todo o Brasil

O Grupo de Líderes Empresariais (Lide) fundado em 2003 por João Doria tem representações em 18 unidades distribuídas em todo território nacional, além das internacionais. O Lide conta com a filiação de 1.700 empresas, entre elas, algumas das 700 maiores do Brasil. Estima-se que o grupo represente 52% do PIB privado.

Locais com representação
Amazonas / Bahia / Brasília (DF) / Campinas (SP) / Ceará / Goiás / Mato Grosso / Mato Grosso do Sul / Minas Gerais / Paraná / Pernambuco / Ribeirão Preto (SP) / Rio de Janeiro / Rio Grande do Sul / São José do Rio Preto (SP) / Santa Catarina / São Paulo / Vale do Paraíba (SP)

Áreas de atuação
Agronegócio; Cidadania; Comércio; Conteúdo; Cultura; Economia; Educação; Empreendedorismo Social; Energia; Esporte; Futuro; Infraestrutura; Inovação; Internacional; Justiça; Logística; Master; Mulher; Saúde; Segurança; Solidariedade; Sustentabilidade; Tecnologia; Terceiro Setor; Turismo.

Fonte: CB

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