Alunos, funcionários e professores da UnB protestam contra crise

O colapso financeiro na Universidade de Brasília (UnB) vai levar alunos, funcionários e professores às ruas. Hoje, a comunidade acadêmica faz uma passeata do campus Darcy Ribeiro até o Ministério da Educação (MEC). Representantes das unidades do Gama e de Planaltina também participarão do ato. A marcha começa às 10h e a concentração será no Instituto Central de Ciências (ICC), em frente ao Ceubinho, a partir das 9h. De acordo com a Reitoria, as aulas não serão suspensas, porém, fica a critério do professor liberar ou não os alunos.

A UnB vive uma grave crise financeira. Para 2018, ela tem um orçamento previsto de R$ 1,7 bilhão, 2% maior do que o ano passado. Segundo a reitoria, a cifra é insuficiente para cobrir todas as despesas, o que deve gerar um deficit de R$ 92 milhões até o fim do ano. “Embora a gente tenha enxugado vários contratos, as despesas crescem vegetativamente, porque têm os reajustes dos contratos, reajustes das categorias, entre outros. Os nossos servidores do quadro também têm a progressão funcional”, explicou o chefe de gabinete da UnB, Paulo César Marques da Silva.
Além do dinheiro ser insuficiente, a UnB está com dificuldades de receber do MEC os valores integrais do que a universidade gasta. O governo federal libera aos poucos as quantias destinadas à universidade. “A nossa previsão é de orçamento até maio, com alguns meses de sobrevida. Isso é muito ruim”, lamentou Paulo César. “Para assinar um contrato hoje é obrigatório a certificação orçamentária, mas a UnB não consegue essa certificação. Com isso, só dá para fazer contrato de três meses, o que acaba sendo mais caro do que uma contratação a longo prazo”, completou.
Outro grave problema é o uso da receita própria. Embora a UnB tenha informado a capacidade de gerar R$ 168 milhões com aluguéis e verbas do Cebraspe, o orçamento do MEC prevê apenas o uso de R$ 110 milhões em 2018. Ou seja, o excedente deve ir para o Tesouro Nacional, porque bate no teto de gastos, conforme a Emenda Constitucional nº 95. Em 2017, o máximo permitido era R$ 87,8 milhões de receita própria da UnB, contudo, a universidade arrecadou R$ 110 milhões.
Enquanto as contas não batem, os alunos e servidores sentem os efeitos da falta de dinheiro. Na mais recente reunião do Conselho Universitário (Consuni), sexta-feira, a reitora Márcia Abrahão considerou legítima a mobilização organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), pelo Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras (Fasubra) para realização de ato no MEC.
“A gente espera ser recebido no MEC para uma roda de conversa. A universidade não pode ficar nessa situação financeira”, afirmou Ludmila Brasil, coordenadora de comunicação do DCE. “O problema não é interno da universidade. Não adianta a gente culpar a Reitoria. A culpa é do governo federal. O campus de Planaltina, por exemplo, está com só 18 pessoas para a limpeza”, diz Mauro Mendes, representante do Comitê em Defesa da UnB. De acordo com a instituição, embora tenham sido feitos cortes nos contratos, ainda será necessária uma redução de R$ 39,8 milhões nas contas para sair do vermelho. O Correio entrou em contato com o MEC, mas, até o fechamento desta edição, o órgão não se manifestou.
Fonte: CB

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