Lei que define repasses para manutenção de escolas fica na gaveta e verba não sai

Enquanto as escolas públicas sofrem com falta de infraestrutura, equipamentos e material pedagógico, o governo Rollemberg mantém na gaveta o projeto de lei para a regulamentação dos repasses de verba pública para a manutenção dos centros de ensino. Conforme o Plano Distrital de Educação (PDE), o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) deve ser regulamentado no plenário da Câmara Legislativa até julho deste ano. No entanto, até agora não existe sinal do envio do  projeto.

Os repasses são feitos  de forma irregular, sem datas e valores fixos e conforme a agenda do GDF. Esta instabilidade tem deixado os  diretores de mãos atadas.

É o caso do Centro de Ensino Fundamental do Areal. Segundo o diretor, Jorge Luiz Oliveira, o ideal seria a reconstrução  da escola. Mas, se houvesse regularidade no PDAF seria possível oferecer melhores condições de ensino.

O telhado, os  banheiros e a caixa d’água do colégio precisam de reforma.  Em dias de chuva, a quadra de esportes fica alagada e cheia de lama. “O PDAF não resolveria tudo, mas ajudaria e muito. O governo deveria adotar o modelo de cartão. Assim ficaria mais fácil para escolas e para a fiscalização”, comentou o Oliveira.

A Escola Classe 41 de Taguatinga consegue recursos graças a parcerias com a comunidade, pais e empresas. Mesmo assim, sofre sérios problemas. O principal é a cozinha. Nutricionistas da própria Secretaria de Educação já condenaram a velha cantina que apresenta pontos com ferrugem e carece até mesmo de ralos para a limpeza.

PDAF vira até drama pessoal

1 O orçamento total do PDAF para este ano é de R$ 77 milhões. O GDF publicou uma portaria autorizando a liberação de R$ 3,5 milhões para despesas de capital. Neste caso, os recursos poderão ser gastos para a compra de equipamentos como computadores.

2 Os atrasos do  PDAF constituem um drama pessoal para muitos diretores. Vários  contraíram dividas na praça e encontram-se com os nomes sujos. A questão é objeto de apuração no Ministério Público.

3 A Câmara analisa a destinação em bloco de emendas parlamentares para o PDAF em 2017, seguindo a mesma linha de ação adotada em 2015 para ajudar na Saúde.

Câmara cobra pressa para votar projeto

A demora do  Buriti para a regulamentação do PDAF gera também um complicador político. O Legislativo entrará em recesso em 1 de julho e só retomará os trabalhos em agosto. Com isso cresce o risco de que o GDF encaminhe o projeto para votação aos 46 minutos do segundo tempo, complicando a tramitação do texto nas comissões da Câmara e a participação da sociedade na definição das regras.
Segundo o presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC), deputado distrital Reginaldo Veras (PDT), a discussão do programa vai  além da definição de datas. Hoje a verba  é calculada apenas pelo número de alunos. Este critério tem sido alvo de  críticas. Diretores defendem que também seja levada em consideração a condição física de cada colégio.

“Nas escolas de tempo integral defendo que o repasse seja dobrado”, completou Veras.  O PDAF teve início em 2008. À época, os repasses eram maiores e serviam para o pagamento de todas as despesas das escolas. Mas sem a força de lei, o programa ficou refém dos temperamentos de cada governo.
Em nota, a Secretaria de Educação, prometeu que enviará o projeto  até 23 de junho, respeitando o PDE. Pelas contas da pasta, já foram disponibilizados R$ 24.951.417,95 pelo programa. O governo afiançou que pagará a segunda parcela, de aproximadamente R$ 20 milhões,  no início do segundo semestre.

Fonte: Jornal de Brasília

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