
Por Rebeca Luisy
O Partido Novo oficializou o ex-desembargador Sebastião Coelho como candidato ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. A decisão foi tomada durante a convenção da legenda, realizada em 31 de julho, que também confirmou Kiko Caputo como candidato ao Governo do DF.
Natural de Santana do Ipanema, em Alagoas, Sebastião Coelho construiu sua carreira no Judiciário do Distrito Federal. Formado em Direito, atuou como juiz, juiz eleitoral e desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), instituição na qual se aposentou em 2022.
Durante sua trajetória na Justiça Eleitoral, Coelho ocupou os cargos de vice-presidente e corregedor do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Sua experiência no sistema de Justiça constitui o principal eixo de sua candidatura e deve orientar a campanha voltada à discussão de temas institucionais e jurídicos.
Entre as principais propostas defendidas pelo candidato está uma reforma do Poder Judiciário. Sebastião Coelho já afirmou ser favorável à adoção de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal, além de mudanças na composição do Tribunal Superior Eleitoral e de maior fiscalização sobre a destinação de emendas parlamentares.
A candidatura também é marcada por episódios controversos de sua trajetória recente. Coelho é investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por suposta incitação a atos relacionados às manifestações antidemocráticas de 8 de janeiro e ficou conhecido por críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes. Apesar da escolha em convenção, o pedido de registro ainda depende da análise da Justiça Eleitoral, que avaliará a situação jurídica da candidatura.
Sebastião Coelho é alvo de processo administrativo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aberto para apurar declarações feitas durante sua atuação como desembargador e manifestações públicas contra o Supremo Tribunal Federal, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes. A investigação também considera sua participação em atos realizados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, após as eleições de 2022. Até o momento, não há condenação relacionada às acusações, e a apuração permanece em andamento.
O candidato também ganhou destaque em março de 2025, quando foi detido pela Polícia Judicial do STF após um episódio de desacato e ofensas durante o julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros investigados por tentativa de golpe de Estado. Coelho atuava como advogado de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro. Ele foi liberado após o registro da ocorrência. Em outra frente, a Polícia Federal concluiu não haver evidências financeiras que ligassem o ex-desembargador ao financiamento dos atos de 8 de janeiro.








































