O império do tomate: como Goiás consolidou a liderança nacional no cultivo do fruto

Foto: Seapa

Por Rebeca Luisy

Com uma forte vocação voltada ao processamento industrial, a tomaticultura goiana segue como um dos pilares mais robustos do agronegócio brasileiro. De acordo com a estimativa de setembro de 2026 do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado de Goiás manteve a primeira posição no ranking nacional, com uma colheita estimada em 1,34 milhão de toneladas. Além da expressiva safra, o território goiano se destaca por abrigar a maior área destinada ao cultivo no país, somando 14,6 mil hectares, além de ostentar a maior produtividade média nacional, alcançando a marca de 92,1 toneladas por hectare — o que representa um crescimento de 2% no rendimento médio das lavouras.

Apesar de o volume projetado para 2026 apresentar um recuo de 18,5% em comparação ao recorde histórico de 2025 (1,65 milhão de toneladas) e de 8,1% em relação a 2024 (1,46 milhão de toneladas), o desempenho acompanha uma retração global observada na produção nacional, que passou de 4,75 milhões para 4,37 milhões de toneladas. Contudo, essa oscilação não abalou a hegemonia de Goiás, que lidera o setor ininterruptamente desde 2024. Para o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ademar Leal, o resultado reflete a solidez da cadeia produtiva local, destacando que o cultivo voltado à agroindústria dinamiza diversos setores econômicos e reafirma o papel fundamental dos agricultores para manter o estado no topo da tomaticultura do país.

A força do setor goiano apoia-se no desempenho de polos agrícolas altamente especializados no interior do estado. Segundo os dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2025, o município de Silvânia assumiu a liderança estadual ao registrar 361 mil toneladas, um salto expressivo de 77,3% em relação ao ano anterior. Na sequência, surgem Cristalina, com 277,5 mil toneladas, e Morrinhos, com 193 mil toneladas. O peso desse trio é tão expressivo que, somados, os três municípios são responsáveis por mais de 50% de toda a produção de tomate de Goiás e por 17,8% do volume total colhido em todo o território brasileiro.

O impacto econômico da cultura se reflete diretamente nos indicadores de riqueza e no comércio exterior. Em 2025, o tomate gerou um Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de R$ 8,5 bilhões em Goiás, montante que corresponde a expressivos 40,8% do VBP nacional da cultura, segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Essa vocação industrial também impulsiona a presença goiana no mercado internacional: no último ano, o estado exportou 1,2 mil toneladas de derivados de tomate, gerando uma receita de US$ 969,1 mil. O suco de tomate despontou como o principal item da pauta exportadora, representando 70,1% do valor total comercializado, enquanto preparados como ketchups e molhos responderam pelos 29,9% restantes.

A integração entre o campo e a indústria processadora projeta o agronegócio estadual para além de suas fronteiras geográficas. Como ressalta o titular da Seapa, Ademar Leal, a descentralização do cultivo e a inserção dos produtos processados no mercado externo ampliam os benefícios socioeconômicos da atividade, gerando renda para famílias em diversas regiões e levando a marca de Goiás ao exterior. Diante desse cenário promissor, as políticas públicas estaduais continuam focadas no monitoramento do setor e no suporte contínuo ao produtor rural, garantindo que o estado permaneça como a principal referência nacional na produção e inovação da cultura do tomate.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here