Por hora, 23 são demitidos no Distrito Federal

O índice de desemprego voltou a subir no Distrito Federal no mês de fevereiro. Se comparado ao mesmo período de 2015, a alta foi de mais de 40%. Ao todo, o número de desempregados na capital soma 265 mil pessoas. Somente entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano, foram 16 mil postos de trabalho fechados. Isso significa que a cada hora 23 trabalhadores perderam o emprego no DF.

De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), divulgada ontem, o perfil dos recém-desempregados são em sua maioria jovens, homens e mulheres, sem cargo de chefia, e com idade entre 18 e 29 anos.

O desempenho não foi pior porque os setores da construção civil (+ 6 mil) e da indústria de transformação (+ 2 mil) registraram um aumento na empregabilidade.

Serviços

O líder na geração de empregos no DF é também um dos mais afetados pelas crises política e econômica. No setor de serviços, 17 mil vagas foram eliminadas em fevereiro. Em seguida vem o setor de administração pública (terceirizados e comissionados), com redução de dois mil postos, e o comércio, que reduziu mil funcionários.

O estudo da Codeplan, feito em parceria com o  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o aumento de desempregados de janeiro a fevereiro é de 8 mil.

De acordo com o  presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Júlio Miragaya, a diferença em relação aos 16 mil postos de trabalho fechados tem uma explicação.”Essa conta revela que oito mil pessoas deixaram de procurar empregos e não são mais consideradas ativas no mercados de trabalho. Isso ocorre pelo desaquecimento da economia e da baixa perspectiva do trabalhador”, explicou Miragaya.

Segundo o presidente do Cofecon, a tendência de aumento no índice de desemprego para os próximos meses é ainda maior. “Em função da crise, o desemprego subiu no comércio, agricultura e outros serviços predominantes. Isso é evidente. Com a falta de emprego, o consumo é reduzido e as empresas demitem mais”, ressaltou.

Ainda segundo Miragaya, é necessário estabilizar o cenário político e econômico do governo local. “O governo não direciona nem se reúne com especialista e entidades para formular estratégias. É necessário uma ação rápida para que se possa colher resultados nos próximos anos”, afirmou.

A cansativa busca por um lugar no sol

A mãe de família Viviane Barbosa, 29 anos, procura por vagas de emprego há um ano. Após sair do último serviço, em que trabalhava como operadora de telemarketing, para cuidar do filho de dois anos, ela conta que percebeu dificuldade maior em encontrar uma colocação. “Já fui a várias agências e está muito difícil. Antes, fazia entrevistas e em pouco tempo conseguia ser contratada. Agora, procuro em diversas áreas e não encontro nada”, desabafou.

Para Francisco dos Santos, de 25 anos, a situação é parecida. No final de janeiro ele foi mandado embora sob a alegação de redução de custos da empresa. O açougueiro conta que nem o emprego anterior em que era fichado há 2 anos escapou da crise.

“Trabalhei por muito tempo em uma empresa grande, mas mesmo lá a situação apertou. Fui mandando embora com a mesma alegação – corte de gastos. É só o que se escuta em diversos setores”, lamentou ele.

Caminhos para saída

Segundo o presidente da Cofecon, Júlio Miragaya, uma saída para a crise seria o investimento em indústrias locais. “É preciso a retomada econômica do País e o trabalho na atividade produtiva, principalmente no setor de indústria que tem grande capacidade de gerar emprego. Cabe ao setor público realizar investimento para que as indústrias se interessem”, afirma.

Saiba mais

De acordo com a Codeplan, as regiões administrativas de renda intermediária (Candangolândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Planaltina, Riacho Fundo, Sobradinho e Taguatinga) registraram elevação na taxa de desemprego (de 13% para 14,4%), enquanto as de renda mais alta (Lago Sul, Lago Norte e Plano Piloto) ficaram quase estáveis (7,8% para 8,2%). Regiões de renda mais baixa (Brazlândia, Ceilândia, Paranoá, Recanto das Emas, Samambaia, Santa Maria e São Sebastião) fecharam fevereiro com taxa estável de 20,5%.

Na avaliação da coordenadora da pesquisa, Adalgiza Lara Amaral, do Dieese, os números altos de desemprego ainda são reflexo das demissões neste início de ano. “Até março é possível sentir um peso forte das contratações sazonais. Diversas demissões ocorrem até o fim deste mês”, destaca.

Fonte: Jornal de Brasília

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