Para ex-AGU de Dilma e Lula, Brasil vive melhor momento da democracia

Advogado-geral da União entre 2009 e 2016, Luis Inácio Adams afirmou em Londres que o Brasil vive hoje seu “melhor momento da democracia”, referindo-se ao nível de envolvimento popular no debate político.

Advogado-geral da União entre 2009 e 2016, Luis Inácio Adams afirmou em Londres que o Brasil vive hoje seu “melhor momento da democracia”, referindo-se ao nível de envolvimento popular no debate político.

“Eu parto da seguinte pergunta: o Brasil vive hoje o seu pior ou o seu melhor momento? Eu sinceramente acho que nós vivemos o melhor momento da nossa democracia. O Brasil vive uma experiência democrática única na sua história”, disse durante o Brazil Forum UK 2016, evento que discute na Inglaterra a crise brasileira.

Para ele, não há crise da democracia mas do modelo de representatividade política.

Adams, que deliberadamente não usa a palavra golpe para descrever o afastamento temporário de Dilma Rousseff, será testemunha da presidente no processo de impeachment. Ele afirmou que vai se limitar à questão técnica das pedaladas fiscais.

Depois do evento, Adams classificou como “um erro” a decisão da AGU (Advocacia-Geral da União), tomada já sob o governo Temer, de abrir uma sindicância para apurar a atuação do ex-ministro José Eduardo Cardozo à frente da pasta, responsável por defender a presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment. “Desnecessário. Ele estava cumprindo um papel naquele momento.”

DEBATE

Na plateia, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Roberto Barroso, que vai encerrar o fórum neste sábado (18), observou que ainda faz falta no Brasil um debate público que seja capaz de manter a qualidade e não desvalorizar o contraditório.

“Desenvolvemos uma cultura em que o debate público é feito pela desqualificação do outro. Se você não pensa como eu, você só pode ser um cretino completo a serviço de alguma causa escusa. Está na hora de um debate substantivo e não de adjetivos”, observou o ministro.

Ele citou como exemplo o polêmico tema da redução da maioridade penal: “Quem é a favor é [considerado pelos oponentes] um reacionário cretino completo, quem é contra, um progressista a serviço da causa da humanidade. Ninguém é capaz de oferecer informações determinantes”.

NOVA ELEIÇÃO

Também no evento, o ex-ministro Celso Amorim (Relações Exteriores e Defesa) observou que o impeachment “dividiu o país de uma forma muito profunda”. Ele propõe uma nova eleição geral ou uma Constituinte na tentativa de unir o Brasil.

“Falam muito da Lava Jato. A única coisa que pode lavar o Brasil é uma eleição geral, uma Constituinte”, observou. Para isso, diz ele, Dilma teria que ser absolvida e voltar assumindo o compromisso de uma nova eleição.

MÍDIA

Nesta sexta, também foi debatido no Brazil Forum UK 2016 o papel da mídia na cobertura da crise política e econômica pela qual passa o Brasil.
O diretor de Redação da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, classificou o atual momento como um “período trepidante e fascinante do ponto de vista jornalístico e também do ponto de vista da história”.

Frias Filho, que reafirmou ser pessoalmente contra o impeachment de Dilma pelo fato de os motivos serem tecnicamente fracos, destacou que a Folha de S.Paulo está empenhada em manter o grau de cobrança, fiscalização e interpelação ao governo interino de Michel Temer, assim como fez com as administrações anteriores.

Na plateia, houve vaias, gritos de “golpista” e aplausos. Manifestantes exibiam cartazes com as frases “Fora, Temer” e “Impeachment sem crime é golpe”.

“Já fomos chamados de golpistas e de petralhas. Não me ponho no papel de analisar e criticar a mídia, me cabe fazer autocrítica. Podíamos ter evitado a armadilha fácil da polarização”, observou Silvia Salek, chefe da BBC Brasil.

A jornalista britânica Sue Branford, do jornal britânico “Guardian”, afirmou que a mídia brasileira manipula a opinião pública e que um dos problemas é o fato de os principais veículos de comunicação estarem nas mãos de famílias poderosas.

Em resposta às críticas de Branford, Frias Filho afirmou que não se deve “fetichizar” a propriedade dos meios de comunicação. Lembrou, por exemplo, que o New York Times também é de propriedade familiar. E disse ainda não acreditar que a mídia manipula alguém porque as “pessoas não são imbecis e sabem decidir”.

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