Setor produtivo pede apoio do governo e do Legislativo

Por Luís Cláudio Alves

Representantes do setor empresarial que participaram hoje (23) do debate virtual realizado pela CLDF sobre a recuperação da economia local no período de pós-pandemia pediram apoio do governo para superar a crise econômica. Beatriz Guimarães, presidente da Câmara de Mulheres da Fecomércio, propôs uma força tarefa envolvendo diversos segmentos da sociedade para defender o setor produtivo e a manutenção dos empregos. Segundo ela, o comércio foi reaberto, mas o consumo ainda não foi normalizado. Ela defendeu a concessão de mais prazos para pagamento de impostos e a aprovação do programa de refinanciamento de dívidas fiscais, o chamado Refis, que poderá ser analisado novamente pelo Legislativo em agosto.

Já Jamal Bitar, presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), o setor precisa de políticas de Estado que não sejam modificadas a cada novo governo. No entanto, Bitar defende a adoção de medidas urgentes para evitar o fechamento de negócios. “É urgente buscar soluções para o momento atual. Temos que “salvar o doente” até para que os negócios sobrevivam para contar com as políticas médio e longo prazo”, cobrou. Para ele, o Estado é fundamental neste momento. Ele citou como exemplo ações que garantam a obtenção de crédito em condições viáveis. O empresário também reforçou pedido para a retomada da votação do projeto do Refis pela Câmara Legislativa, “para recuperação de emprego e renda”.

O deputado Leandro Grass, idealizador da reunião pública, explicou que os distritais aguardam o envio de uma nova proposta do governo para o Refis. Ele prometeu trabalhar na busca por um consenso em um novo texto do Refis, especialmente em apoio aos pequenos empresários.

O empresário Rogério Silva, proprietário da Hamburgueria Batatas Frit’z, de São Sebastião, aberta há cerca de um ano, está sentindo na pele os reflexos da pandemia e relatou suas dificuldades. Silva informou que antes do fechamento por causa do isolamento contava com um faturamento médio mensal de R$ 150 mil e gerava 15 empregos. Desde o início da pandemia, o faturamento caiu mais de 60% e ele só conseguiu manter cinco postos de trabalho. Na opinião dele, falta sensibilidade do governo com as pequenas empresas e os poucos programas criados apresentam regras que dificultam o acesso dos pequenos. Rogério Silva sugeriu que fosse incluído no currículo escolar do ensino médio disciplinas sobre direito do consumidor, do trabalhador e gestão de negócios.

Precarização do Trabalho

A presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 10ª região do DF e TO, Audrey Vaz, abordou os impactos da crise sobre o trabalho. Segundo ela, mesmo antes da crise, muitos trabalhadores, em torno de 40%, já estavam sem os direitos mínimos previstos na Constituição. A crise, segundo ela, teria provocado o crescimento da chamada “uberização”, uma “situação atípica e nova”, que abriu uma discussão sobre o tipo de proteção social que estes trabalhadores devem receber. No entendimento de Audrey Vaz, a preocupação com o trabalho deve ser priorizada durante a crise. “É o trabalho que estimula a economia. É necessário que a valorização do trabalho humano esteja em todos os setores da sociedade, com políticas que valorizem a criação e a manutenção dos empregos”, completou.

A consultora legislativa e assessora econômica do deputado Leandro Grass, Tânia Santana, apresentou o impacto da pandemia no PIB do DF e destacou que o principal motor da economia local são os gastos do governo, o que ajuda no enfrentamento da crise de maneira global. No entanto, os multiplicadores da economia local são o setor de serviços e o comércio, que foram muito afetados pelo isolamento social. Para ela, após a pandemia, a demanda privada não vai acabar com a crise e o governo precisará garantir que as empresas fiquem abertas e preservem os postos de trabalho. “O governo precisa agir de forma incisiva e rápida”, disse.

A professora Sônia Salles Carvalho, do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da UnB, também participou do debate e falou sobre a contribuição da UnB para a superação da crise. Entre outras ações, destaca-se as contribuições da universidade no treinamento de professores para aulas online, produção de máscaras e equipamentos e o desenvolvimento de diversas pesquisas.

Fonte: http://www.cl.df.gov.br/web

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