Apesar das negativas do secretário de Transportes na gestão de Agnelo Queiroz (PT), os parlamentares estão convencidos de que o certame foi prejudicial aos cofres público.
O depoimento de Galeno Furtado na CPI dos Transportes confirmou boa parte das suspeitas dos deputados distritais. O ex-presidente da comissão de licitação disse ter sido influenciado pelas orientações do advogado Sacha Reck, que também teria ligação com a empresa que elaborou o edital. Apesar das negativas do secretário de Transportes na gestão de Agnelo Queiroz (PT), os parlamentares estão convencidos de que o certame foi prejudicial aos cofres públicos e à qualidade do sistema.
Mesmo com o recesso parlamentar durante o mês de julho, a Câmara Legislativa chega perto de atestar as fraudes no processo de escolha das empresas que vão operar o transporte pelos próximos dez anos. A exemplo da CPI de Curitiba, que recomendou a anulação da escolha das empresas, os distritais querem fazer o mesmo no Distrito Federal e já veem grande possibilidade de isso acontecer.
Depoimentos
A CPI colheu depoimentos conclusivos. Nas semanas anteriores, foram chamados ex-servidores do DFTrans e da Secretaria dos Transportes e o empurra-empurra na responsabilidade irritou os integrantes da comissão. Enquanto os nomes do governo passado se eximiram da responsabilidade, os atuais gestores se limitaram a fazer avaliações técnicas do sistema. Assim, os depoimentos de Galeno Furtado e José Walter Vasquez trouxeram expectativa.
O primeiro deles precisou ser convocado quatro vezes para ir até a Câmara prestar esclarecimentos. Os distritais aprovaram a primeira convocação há duas semanas, mas o ex-presidente da comissão de licitação alegou estar nos Estados Unidos.
Em depoimento na última quinta-feira, Furtado admitiu conhecer a ligação de Sacha Reck com a empresa que realizou o edital. Ainda assim, ele garantiu que recebeu pareceres favoráveis da Procuradoria do DF para a continuidade.
A afirmação causou estranheza nos membros da CPI. O relator, deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), avaliou o caso como uma situação atípica. “Tenho a impressão de que os procuradores foram induzidos ao erro”, disse.
Inexperiência pode ter sido estratégica
O ex-presidente da comissão de licitação demonstrou arrependimento ao aceitar o cargo. Até então, Galeno Furtado nunca havia desempenhado a função. Os deputados suspeitam que a falta de conhecimento teria sido estratégica para direcionar a concorrência a determinados grupos econômicos.
O presidente da CPI, deputado Bispo Renato (PR) afirma que já é possível chamar a licitação de “fraude de cartas marcadas”. E isso só foi possível graças à atuação de Furtado. Ainda assim, o parlamentar crê na boa vontade do depoente de colaborar. “Ele não procurou esconder o que estava acontecendo. Mas parece pelos depoimentos que ele era uma marionete, que estava sendo comandado por alguém e não tinha, ainda que seja economista, muita realidade daquilo que estava fazendo. Até hoje, Galeno parece não ter muita noção do que aconteceu”, avaliou.
Mesmo diante das irregularidades e de ter sofrido ameaças, o responsável pela licitação seguiu adiante e não cancelou o certame. A quebra dos sigilos fiscal e telefônico de Galeno Furtado foram autorizados.






































