Depoimento do ex-presidente, de acordo com membros da CPI do BNDES, é tido como vital para esclarecer negócios da empreiteira Odebrecht no exterior. Mas deputados da base argumentam que oitiva neste instante seria “inócua”.
Integrantes de partidos de oposição tentam convencer parlamentares da base a apoiar a convocação de Luiz Inácio Lula da Silva na CPI do BNDES. Os deputados querem que o ex-presidente explique uma possível atuação em favor da empreiteira Odebrecht em negócios no exterior.
Relatório da Polícia Federal, anexado aos autos da Operação Lava-Jato, sugere que o petista “fez lobby” para favorecer projetos da empreiteira em Namíbia. Em e-mails trocados com executivos da Odebrecht no dia 11 de fevereiro de 2009, o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge, afirma: “O PR fez o lobby“.
Pelas informações dos agentes, o “PR” significaria Presidência da República, cargo então ocupado pelo petista. E o lobby, para a PF, ocorreu durante um almoço entre Lula e o presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohamba. O encontro foi realizado no Itamaraty. Na época, conforme informações da PF, a Odebrecht negociava a construção de uma hidrelétrica, a Binacional Baynes. Os investimentos no empreendimento chegavam a US$ 800 milhões.
Tentativa frustada
Nesta quinta-feira (1º), a oposição tentou uma primeira cartada para convocar Lula. A oposição apresentou um requerimento para a realização de uma oitiva extrapauta para ouvir o ex-presidente. A solicitação foi rejeitada por 16 votos a 11.
Agora, integrantes de partidos como o PSDB, DEM, PSC, Solidariedade tentam convencer os parlamentares de PT e PMDB a aprovar o requerimento de convocação do ex-presidente apresentado pelo tucano Alexandre Baldy (GO), no final de agosto. Além de pedir a presença do ex-presidente na CPI, o deputado também requereu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do petista, além da cópia do procedimento investigatório prévio instituído pela Procuradoria da República no Distrito Federal por suspeitas do crime de tráfico de influência também em favor da Odebrecht.
“O problema é que existe um processo de blindagem do ex-presidente. E estamos trabalhando para acabar com isso”, disse o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), integrante da CPI. “Não existe nenhum tipo de blindagem”, rebateu o relator da CPI, José Rocha (PR-BA).
Deputados do PT e PMDB admitem em conversas reservadas, entretanto, que a convocação do ex-presidente somente ganhará força caso as investigações da Operação Lava-Jato revelem um fato que comprove a influência do ex-presidente nos negócios da Odebrecht no exterior. “Por enquanto, existem apenas indícios. Qualquer convocação neste instante seria prematura e inócua. Mas, se ficar comprovado que Lula usou o governo para beneficiar uma empresa, a convocação dele será inevitável”, admite um parlamentar da base governista em caráter reservado.
“Convocar Lula agora apenas daria palanque para ele. A estratégia é convocá-lo no momento correto”, ressalta um deputado aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), integrante da CPI.
Fonte: Fato Online







































