Planilhas de voo mostram, por exemplo, que entre o dia 31 de maio e 2 de junho de 2011, o avião ficou à disposição para uma viagem que começou em São Paulo e terminou em Cuba, passando pela Venezuel.
Curitiba – As planilhas em que constam os pouco mais de cem voos feitos pelo ex-ministro José Dirceu nas duas aeronaves do lobista Júlio Camargo, entre novembro de 2010 e julho de 2011, explicam o motivo que levaram o passageiro a percorrer mais de 100 mil quilômetros em apenas oito meses. O total voado equivale a cerca de duas voltas e meia na Terra. É que, além de deslocamentos curtos dentro do país, nos mais diferentes horários, Dirceu também demandou as aeronaves para viagens para o exterior, para países da América Latina e do Caribe.
Os voos foram tema do interrogatório de Camargo como réu da 17ª fase da Operação Lava-Jato, na última sexta-feira (22) e, por isso, detalhados no documento anexado ao processo pelo lobista. Eles faziam parte do acerto de R$ 4 milhões de propina destinados a Dirceu por Renato Duque, então diretor de Serviços da Petrobras e tido como afilhado político do ex-ministro. Daquele total, teria ficado definido entre o também lobista Milton Pascowitch, representante de Dirceu no esquema, e Camargo que R$ 1 milhão seriam compensados na forma de viagens aéreas do interesse do beneficiário da vantagem irregular.
Pouco mais da metade dos voos ocorreram no Citation Mustang, que somente transportou o ex-ministro em trechos dentro do país. Em alguns casos, os deslocamentos poderiam ser feitos de carro. É o caso dos 50 quilômetros entre Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, entre 0h44min e 0h59min de 1º de março de 2011. Do aeroporto internacional de São Paulo, Dirceu rumou para Brasília – cujos 850 quilômetros de distância forma percorridos em 1h49min, entre 3h49 e 5h38.
Rumo a Havana
Porém, no Citation Excel cuja cota teria cogitado comprar, Dirceu voou para fora do país. O interesse pela compra também foi informado por Camargo. É o caso da cansativa viagem iniciada em São Paulo, no final de maio de 2011, e que o levou a Brasília e Manaus antes de rumar para Havana, passando pela Venezuela. Dirceu chegou à capital cubana em 31 de maio e começou e lá ficou até 2 de junho, com o avião à sua disposição.
O retorno previu escala em Aruba e da ilha caribenha até Manaus. O ex-ministro chegou à capital do Amazonas no dia seguinte e rumou na mesma aeronave, até Jundiaí, novamente em São Paulo, estado onde vivia até ser preso, em agosto do ano passado. Apenas nesses trechos – os últimos percorridos naquele avião –, Dirceu voou mais de 14 mil quilômetro.
No ano anterior o ex-ministro também usou o avião para sair do país. Em 10 de novembro de 2010, ele saiu de Campo Grande, no meio da tarde, com destino ao Chile. Voltou de lá dois dias depois, por Florianópolis. Da capital catarinense, então, voou para Jundiaí, onde somou mais 5,4 mil quilômetros no ar, entre ida e retorno.
Fonte: Fato Online






































