Para analistas, Barbosa desmontou propostas de Levy para equilibrar contas

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, faz aniversário no cargo no próximo domingo, quando se completarão dois meses desde que foi nomeado para substituir Joaquim Levy. O país, porém, não tem o que comemorar. Com Barbosa na condução da política econômica, as perspectivas de analistas para a economia do país pioraram muito. Os economistas afirmam que as decisões do ministro, e, em grande medida, a falta delas, são responsáveis por essa deterioração.

 “Ele não fez absolutamente nada. É até injusto comparar a difícil e pedregosa gestão de Levy com este fluido e nebuloso começo de Nelson Barbosa”, disse Paulo Rabelo de Castro, da RC Consultores Associados. “Considerando essa situação, ele deveria enfrentar muito mais oposição do que se vê.”

Para o economista Fabio Klein, da Tendências Consultoria Integrada, Barbosa se opôs claramente a Levy ao propor medidas de crédito subsidiado por meio de bancos públicos, que foram anunciadas na última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, no fim de janeiro. “Há uma inflexão, uma guinada heterodoxa na condução da política econômica. Ele é menos austero do que Levy”, disse.

Klein destacou que as medidas anunciadas no Conselhão não pretendem reverter a queda do Produto Interno Bruto (PIB). “A ideia é apenas estancar a queda. Isso poderia até ser positivo em uma economia que estivesse em recessão, desde que tivesse fundamentos econômicos relativamente em ordem. Infelizmente, não é a nossa realidade. O Brasil enfrenta pesados desequilíbrios, como um substancial deficit fiscal, dívida pública em trajetória de forte alta, inflação elevada, e um governo com baixa credibilidade”, afirmou.

Contradições

Outro ponto de dissonância em relação a Levy é a ideia, ainda não transformada em proposta, de criar bandas para o superavit primário, que poderia ser reduzido caso a variação do PIB seja pior do que a esperada na elaboração do Orçamento. Como ministro do Planejamento, no ano passado, Barbosa teve embates com o então titular da Fazenda em torno dessa ideia, vista por Levy e por vários analistas como uma regra leniente em relação aos gastos do governo.

Na avaliação do economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, a proposta da bandas “é irrelevante neste momento”, pois o mercado já tem certeza de que o ano encerrará com deficit. “O que poderia fazer diferença seria rebobinar políticas implementadas por Dilma no primeiro mandado. Levy entrou com esse propósito e teve algum sucesso. Realinhou as tarifas públicas, por exemplo, que estavam defasadas, logo que chegou. O problema é que Barbosa não vai fazer isso, não vai contrariar Dilma”, notou Velloso.

Na visão do economista Mansueto Almeida, a ideia das bandas fiscais e as medidas de crédito subsidiado de Barbosa demonstram suas contradições. Ele explicou que Levy buscava manter os discursos de curto e de longo prazos na mesma direção, ao tentar sinalizar medidas para ajustar as contas públicas e recuperar a economia. Já o sucessor mantém a disposição de promover mudanças de longo prazo, como realizar a reforma da Previdência Social, mas defende a heterodoxia a curto prazo.

Fonte: Correio Braziliense

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