Conheço o Jorge Bastos Moreno desde criança. Lembro de brincar, pequeno, em sua casa, em Brasília, entre livros e retratos que marcavam a história dele e de vários jornalistas. A casa dele na capital era assim: com fotos dos amigos espalhados por todos os lados – nas mesas e nas paredes. Algumas ficavam em destaque.
Lembro já mais velho dele contando histórias dos meus pais, Marcelo e Miriam, seus amigos desde a época que nasci, em 1977. Ele mostrava imagens que nunca tinha visto. Contava casos que eu nem sabia que existiam. Ríamos muito enquanto ele detalhava cada uma delas. Moreno era um exímio contador de história.
Daí, acredito eu, nasceu o grande repórter que influenciou a todos nós: as várias gerações de jornalistas que passaram por Brasília. Chegar na capital e não pedir a benção dele era um erro. Ele se tornava um grande professor. Generoso, ensinava os caminhos a seguir pelos meandros do poder.
O duro da perda do Moreno, contudo, é ter a exata noção de que ninguém, ninguém, poderá substituí-lo. Nunca conheci uma pessoa como este jornalista que morreu na madrugada de hoje. Ele era capaz de juntar pessoas que não se gostavam na mesma mesa, todos em volta dele, um grande anfitrião.
Alias, como Moreno sabia nos receber em sua casa – sem igual – deixando até conflitos de lado (que possamos refletir sobre isso).
Mas a qualidade que me impressionava era a do grande jornalista. Com fontes como ninguém, dava um show. Furos históricos, como sabemos. O texto apurado nos obrigava e estar atento a ele, e também ao que ele produzia dia a pós dia.
Uma vez li um perfil de um político, feito por ele, que me deixou atônito. Eram tantos detalhes. Telefonei para perguntar como ele tinha conseguido as informações. Ele riu do meu interesse e me contou como conseguiu cada palavra do texto. A impressionante lição carrego até hoje.
Há alguns anos, quando ele esteve internado, liguei e pedi para ele prometer que não iria morrer nunca. Ele me perguntou: por que? Disse que não podia viver sem ler o Nhenhenhém, sua coluna no jornal O Globo. Ele riu de novo. E conversamos longamente.
Tive momentos mais próximos com Moreno e mais distantes. Depois que ele foi morar no Rio de Janeiro nos falamos menos. Mesmo assim, consegui ir em poucas festas na laje, que ficaram conhecidas em solo carioca. Ainda bem. Lá, ele se cercou de novos amigos.
Mas tem dessas coisas que só Deus nos proporciona. Recentemente fui lançar o livro Em Nome dos Pais na Cidade Maravilhosa. Nos falamos e ele disse que iria. Contudo, não se sentiu bem e faltou o lançamento.
Foi quando ele mandou uma carinhosa mensagem: “Afilhado, uma infecção, que ainda não passou, me impediu de ir. Me perdoe. Bjs”.
Respondi: “Que isso, padrinho. Claro que eu entendo. Não há motivo pra pedir perdão. Espero que esteja melhor. Te amo”. E foi assim que última coisa que disse a ele foi te amo.
Não me lembro de ter falado isso pra ele antes. Mas era amor mesmo. E admiração. Tu farás muita falta, mestre!
Fonte: G1






































