Lula sobre o BRICS: “Renasço na política e na esperança”

Em entrevista coletiva na África do Sul, presidente brasileiro exalta novos membros do bloco e os avanços nas conversas sobre moeda para trocas comerciais

Em conversa com jornalistas antes de deixar a África do Sul rumo a Angola, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou os avanços fundamentais e fez uma avaliação muito positiva da Cúpula do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), realizada em Joanesburgo entre os dias 22 e 24 de agosto.

Para ele, o encontro de chefes de Estado dos cinco países representou alento e esperança, por avanços como a entrada de novos membros, a discussão sobre a reconfiguração do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a disposição de viabilizar uma moeda comum de negócio para as trocas comerciais entre os integrantes do BRICS e a participação de países convidados.

“É uma reunião civilizatória. Os países pobres também podem falar, também têm direito, também têm desejo. O que queremos é expressar aquilo que a gente deseja trazer para o nosso povo. Está na hora de começar a repartir melhor o pão de cada dia. Eu renasço na política e na esperança. Saio daqui com a certeza de que, finalmente, posso dizer às pessoas que estão me ouvindo que um outro mundo é possível. Coisa que parecia impossível um tempo atrás”, disse o presidente, afirmando também que essa reunião foi a mais importante da qual ele participou em todos os mandatos.

BRICS MAIS FORTE – Na entrevista coletiva, Lula afirmou que, com a chegada de novos membros (Argentina, Arabia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Irã), o BRICS ganha ainda mais importância econômica e estratégica, passando a se relacionar com os demais blocos e organismos como o Sul Global, num mundo em transformação e com a economia e a geopolítica também começando a mudar.

“Acho que é um momento histórico da humanidade, em que países do sul pela primeira vez podem fazer valer a força que eles têm. Acho que as coisas vão evoluir, vai ficar mais fácil sentar e conversar. Quem sabe não vai se reunir bloco dos BRICS com bloco do G7 para discutir comércio, avanço científico e tecnológico para discutir democracia?”.

O presidente lembrou que, em 1995, os países do G7 detinham 44,7% do PIB por paridade de compra, e os países que fariam parte do BRICS representavam 16,9%. “Em 2010, o G7 já tinha caído para 34,3% do PIB por paridade de compra e os BRICS tinham subido para 26,6%. Em 2023, o G7 tem 29,9% e os BRICS, 32,1%. E mais importante é que, com a entrada de novos países, os BRICS vão chegar a quase 37%”, afirmou Lula.

O presidente brasileiro defendeu o fortalecimento do Mercosul e da Unasul e disse também que o BRICS está aberto a novos membros, que, ao se candidatarem, serão escolhidos pelos mesmos critérios daqueles novos anunciados nesta quinta-feira. Ele citou Angola, Moçambique e República Democrática do Congo como potenciais membros futuros, se interessar a eles integrar o grupo.

“Vamos continuar fazendo de forma criteriosa, de acordo com a importância geopolítica de cada país. O que está em jogo é a importância do país. Não quero saber o pensamento ideológico do governante, mas se está dentro dos critérios estabelecidos para entrar”.

Fonte: Gov.br

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