
Por Rebeca Luisy
A avicultura de Goiás alcançou um feito expressivo no panorama do agronegócio nacional ao registrar o segundo maior volume de produção de ovos para um primeiro semestre em toda a sua série histórica. Entre janeiro e junho de 2026, os avicultores goianos colocaram no mercado 128,5 milhões de dúzias do alimento, marca inferior apenas ao recorde obtido no mesmo período do ano anterior. O desempenho, detalhado pelo boletim Agro em Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), reflete a consolidação do setor e acompanha o pico produtivo brasileiro, que atingiu o patamar inédito de 2,4 bilhões de dúzias segundo dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A expansão do setor em Goiás espelha uma década de investimentos contínuos em modernização tecnológica e ampliação do plantel de aves. Entre 2016 e 2025, a produção do estado saltou de 171,7 milhões para 264,1 milhões de dúzias ao ano, representando uma alta expressiva de 53,8%, impulsionada pelo crescimento de 53,1% no rebanho de galinhas poedeiras, que alcançou 46,9 milhões de cabeças. Segundo o titular da Seapa, Ademar Leal, essa trajetória ascendente atende a transformações de consumo, com avanços voltados ao bem-estar animal e à sustentabilidade, frutos da parceria técnica entre o poder público e os produtores locais para fortalecer a eficiência da cadeia produtiva.
No âmbito do consumo doméstico, o aumento da oferta encontra respaldo na maior procura da população por fontes proteicas acessíveis e nutricionalmente ricas. O consumo nacional per capita atingiu 288 unidades por habitante, registrando alta de 7,1%, alavancado em parte pela expansão do segmento fitness e pela busca por alimentos práticos contendo aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais. No entanto, o aumento da disponibilidade interna e a acomodação das cotações após o pico de preços registrado em 2025 resultaram na projeção do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 1,3 bilhão para Goiás em 2026, valor estabilizado e compatível com o patamar observado em 2024.
Para além do abastecimento interno, a avicultura goiana tem garantido projeção de destaque no comércio internacional, ocupando a 5ª posição entre os maiores exportadores nacionais de ovos para incubação. Em 2025, o estado produziu 728,7 toneladas destinadas à incubação — com valor médio de US$ 5.764,88 por tonelada — tendo como principais compradores mercados exigentes como Arábia Saudita, México, Senegal e Venezuela. O segmento de ovos para consumo também apresentou desempenho positivo, com polo produtivo concentrado originalmente nos municípios de Cristalina e São João d’Aliança.
A maturidade do setor produtivo no comércio exterior consolidou-se ainda mais nos primeiros oito meses de 2026, com a entrada de Luziânia na lista de municípios exportadores de ovos de consumo. De janeiro a agosto deste ano, Goiás embarcou 346,2 toneladas de ovos para o exterior, gerando uma receita de US$ 1 milhão. Desse total, mais de 57% correspondeu à comercialização de material fértil para incubação, reafirmando o elevado padrão sanitário, a competitividade técnica e o papel estratégico da avicultura goiana na pauta de exportações do agronegócio nacional.





































