O governador Rodrigo Rollemberg deseja redesenhar os blocos na Câmara Legislativa. Na reunião com a base na manhã de ontem, na Residência Oficial de Águas Claras, o Rollemberg propôs reestruturar a composição de forças entre os deputados distritais. Caso o novo desenho seja aceito pelos parlamentares, a base contará com três blocos no Legislativo. Junto com a redefinição de grupos, o governador também pediu emendas para a Saúde e apoio na agenda do GDF.
Na atual composição na Câmara, muitos deputados da base estão blocos mistos, liderados por parlamentares de oposição ou independentes. Isso enfraquece a posição do governo porque muitas votações estratégicas são em bloco, sob a influência direta das respectivas lideranças. Por exemplo, na definição semanal de pautas do plenário no Colégio de Líderes.
Pela proposta de Rollemberg, o governo teria o apoio de um bloco com Israel Batista (PV), Cláudio Abrantes (Rede), Chico Leite (Rede), Reginaldo Veras (PDT) e Joe Valle (PDT), que retorna para Câmara no dia 8 deste mês. O segundo bloco de apoio teria Julio César (PRB), Juarezão (PSB), Luzia de Paula (PSB) e Lira (PHS). A terceira frente aliada seria composta por Telma Rufino (sem partido), Sandra Faraj (SD), Rodrigo Delmasso (PTN) e Agaciel Maia (PR).
“Essa proposta não acaba com o problema da volatilidade da base, mas ajuda a deixá-la mais definida”, ponderou o deputado Reginaldo Veras. Segundo o secretário-adjunto de Relações Legislativas, José Flávio de Oliveira, o governo não pretende mais perder o apoio de lideranças aliadas “soltas” na Câmara. A proposta do novo desenho não desagradou e a base decidiu avaliá-la.
A oposição já levantou armas contra a estratégia do GDF. “É uma interferência nociva. Isso não ajuda. Prejudica e acirra ainda mais as relações entre Executivo e Legislativo. Espero que os deputados não se submetam a esta situação. Se fizerem será lamentável. O governador não consegue colocar ordem na própria casa e ainda quer se meter na casa alheia”, criticou o deputado de oposição Wellington Luis (PMDB).
De olho nas emendas
Durante a conversa, o governador pediu a destinação dos recursos excedentes das emendas parlamentares deste ano para a Saúde. Cada deputado tem disponível, teoricamente, R$ 18 milhões. Para este ano, o acordo proposto pelo GDF foi do empenho de R$ 6 milhões por distrital. Em função da crise financeira, o Buriti solicitou autorização para o gasto dos R$ 12 milhões parados nos cofres públicos.
“No ano passado, a Câmara ajudou com R$ 300 milhões para Saúde. Não vejo problemas em repetimos este apoio, ainda mais nessa crise. É ou não verdade?”, comentou o líder do governo na Câmara, deputado Julio César.
Projetos na fila
- O governo possui seis grandes projetos estratégicos na fila de votação na Câmara. Um deles refere-se as novas regras para contratações de OSs na Saúde.
- O segundo é a venda de parte do parque Ezechias Heringer, situado no Guará. O negócio pode render R$ 400 milhões necessários para garantir os reajustes dos servidores previstos para outubro.
- O terceiro é o projeto de regularização dos Puxadinhos da Asa Sul. A questão pode trazer segurança jurídica para mil empreendimentos comerciais no Plano Piloto.
- O GDF pretende reformular as regras de regularização fundiária e de reassentamento. Dentro do pacote está a regularização de terrenos culturais, a exemplo do lote da Associação Recrativa Unidos do Cruzeiro (Aruc).
- O Buriti recebeu um grande terreno da União no Itapoã. A intenção do Buriti é reverter o lote para Terracap, para a venda ou construção de um parque habitacional.
- O GDF pretende reformular as regras do Simples Candango.
Apelo para que deputados debatam OSs
O governador voltou a pedir a atenção dos parlamentares no debate sobre a contratação das Organizações Sociais (OSs) na rede pública de saúde. Rollemberg não cobrou velocidade na votação da matéria, mas solicitou que aliados discutam o tema, buscando trazer a população para o debate.
“O governador não colocou a faca no pescoço de ninguém por esse projeto. Ele pediu que fizéssemos o debate aberto, que chamássemos quem fosse necessário para discutir o assunto. E principalmente, que nós incluíssemos a população na discussão”, relatou um distrital, pedindo para não ser identificado. Com o objetivo de atrair instituições, o GDF enviou para o Legislativo um projeto para reformular as regras de contratações de OSs.
Por outro lado, o governador pediu que a base não permita o avanço dos projetos que possam impedir a contratação das OSs. Um dos textos em tramitação na Casa é de autoria do deputado Ricardo Vale (PT). O outro foi produzido no final do último semestre legislativo por parlamentares descontentes, com a aprovação da presidente da Câmara, deputada Celina Leão (PPS).
Fonte: Jornal de Brasília



































