
Por Rebeca Luisy
O Distrito Federal registrou em 2025 o maior número anual de procedimentos cirúrgicos de sua história: 56 mil operações realizadas, superando o recorde anterior de 46 mil, alcançado em 2019. O resultado, anunciado pelas autoridades locais, é atribuível a uma combinação de políticas públicas, parcerias com a iniciativa privada e mudanças na gestão dos centros cirúrgicos da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). Segundo os dados oficiais, o salto no número de procedimentos alcançou tanto cirurgias eletivas simples quanto intervenções de maior complexidade, reduzindo significativamente o tempo médio de espera para tratamentos considerados essenciais pela população.
O principal instrumento dessa escalada foi o Programa Opera DF, lançado em outubro de 2025. A iniciativa firmou convênios com sete hospitais privados e três empresas especializadas em anestesia, com a finalidade de transferir procedimentos de menor complexidade para a rede contratada. Essa estratégia liberou capacidade nos hospitais públicos para concentrarem esforços em casos mais complexos e de alta demanda, criando um fluxo mais eficiente entre triagem, agendamento e realização das cirurgias. Além disso, a SES-DF implementou um novo modelo de gestão em seus centros cirúrgicos, aprimorando rotinas administrativas e operacionais que aceleraram a utilização das salas e reduziram o tempo ocioso.
Na prática, os hospitais privados contratados pelo Opera DF passaram a assumir integralmente consultas pré e pós-operatórias, avaliações cardiológicas e pré-anestésicas, internação e curativos. Os pacientes beneficiados já integravam a rede pública de saúde e foram encaminhados por meio do Complexo Regulador do DF, que manteve a coordenação do fluxo assistencial. A contratação e a execução dos serviços seguiram os procedimentos previstos na nova Lei de Licitações, 14.133/2021, por meio de editais específicos que regularam responsabilidades, metas e mecanismos de controle da qualidade e do gasto público.
Os efeitos nas filas de espera foram imediatos e expressivos em algumas especialidades. O tempo de espera para tratamento de varizes, que ultrapassava mil dias em determinados casos, caiu para cerca de nove dias; pacientes com hérnia, que aguardavam mais de dois anos, passaram a ser atendidos em média em 50 dias. Esses resultados servem como indicadores do impacto operacional do programa e como argumento das autoridades para sustentar a continuidade das parcerias público-privadas como medida transitória de enfrentamento das filas por procedimentos eletivos.
A governadora Celina Leão afirmou que, embora a demanda por cirurgias eletivas permaneça alta e em crescimento, o governo está atacando o problema com medidas integradas de curto e médio prazo. Especialistas ouvidos por esta reportagem destacam que a reestruturação do fluxo assistencial e a terceirização controlada podem reduzir filas rapidamente, mas recomendam monitoramento contínuo de indicadores de qualidade, equidade de acesso e custo-efetividade para garantir que ganhos pontuais se convertam em melhorias sustentáveis no sistema de saúde do Distrito Federal.





































