Proteção e convivência: saiba como agir com segurança ao encontrar animais silvestres na cidade

Por Rebeca Luisy

Encontrar um animal silvestre no quintal, dentro de casa ou circulando por áreas urbanas tornou-se um acontecimento cada vez mais frequente nas regiões do Distrito Federal. Esse deslocamento da fauna em busca de água, abrigo e alimento tende a se intensificar em períodos de seca e durante os meses de reprodução de diversas espécies — a exemplo do saruê, cujo ápice reprodutivo no Cerrado se estende de julho a novembro. Diante dessas ocorrências, saber como reagir de forma adequada é fundamental para garantir a segurança dos moradores e a preservação da vida animal.

A orientação primordial dos órgãos ambientais e de segurança é nunca tentar capturar, acuar, alimentar ou afugentar o bicho. O manejo por pessoas sem o devido treinamento técnico e equipamentos apropriados pode provocar reações agressivas nos animais por estresse ou medo, além de agravar eventuais ferimentos que o próprio espécime já possua. O procedimento padrão recomendado a qualquer cidadão é manter a distância, isolar o local para impedir a aproximação de pessoas e animais de estimação e ligar imediatamente para o telefone 190.

Ao acionar a Central de Atendimento Policial (190), a ocorrência é repassada às equipes especializadas do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) para o devido resgate. Para agilizar a prestação do socorro, o solicitante deve fornecer informações detalhadas, tais como o endereço exato com pontos de referência, a espécie aproximada, as condições físicas do animal e se há presença de ferimentos ou riscos iminentes a populações vulneráveis. Enquanto o resgate técnico não chega, é essencial manter a calma e não bloquear rotas de fuga naturais.

Medidas preventivas no cotidiano residencial também desempenham um papel crucial para evitar encontros indesejados no meio urbano. Recomenda-se manter o lixo doméstico devidamente acondicionado e fechado, evitar deixar recipientes com ração de pets expostos em áreas abertas e promover a poda de galhos de árvores muito próximos a janelas e telhados. A instalação de telas de proteção em aberturas e frestas também ajuda a inibir o acesso de pequenos mamíferos e répteis às dependências das casas.

A convivência harmônica com a rica biodiversidade do bioma Cerrado exige responsabilidade e respeito aos limites da fauna local. Lembra-se que ferir, maltratar ou abater espécimes da fauna silvestre configura crime ambiental passível de punições administrativas e penais. Com conscientização e a colaboração da população em acionar os canais adequados de socorro, o Distrito Federal fortalece suas redes de proteção ambiental e assegura o retorno seguro desses animais ao seu habitat natural.

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