
Por Rebeca Luisy
O câncer renal representa um dos maiores desafios da oncologia moderna devido à sua natureza silenciosa e à dificuldade de diagnóstico precoce. Segundo especialistas, a doença geralmente não provoca sintomas nas fases iniciais, o que faz com que muitos pacientes sejam diagnosticados quando o tumor já está em estágios avançados, com menores chances de cura. O diagnóstico precoce é, portanto, um dos pontos críticos para melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade associada ao tumor renal.
Dados do Estudo Nacional sobre o Câncer Renal (Encare), realizado pela Sociedade brasileira de Urologia (SBU), mostram que quase 40% dos casos de câncer de rim são descobertos nos estágios 3 ou 4, considerados avançados e com poucas possibilidades de tratamento curativo. Mesmo que 61,6% dos doentes tenham o tumor identificado nos estágios 1 ou 2, quando há maior chance de cura, 73% desses diagnósticos ocorrem por acaso, durante exames de ultrassom abdominal realizados por outros motivos. Essa realidade evidencia a ausência de políticas públicas específicas para rastreamento e diagnóstico precoce da doença.
Entre os sintomas mais comuns que podem aparecer quando o tumor já está avançado estão sangue na urina (hematúria), dor no flanco, massa abdominal palpável, perda de peso, cansaço constante, pressão alta e tosse persistente. Contudo, o grande problema do câncer renal é que, na maioria das vezes, ele não apresenta nenhum sinal clínico nas fases iniciais, e não há um método característico de rastreamento com exames específicos para diagnóstico precoce. Em muitos casos, o tumor é descoberto incidentalmente durante exames de imagem solicitados por outras razões, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
O prognóstico está diretamente relacionado ao momento do diagnóstico: quando descoberta precocemente, as taxas de cura são significativamente maiores, e a cirurgia para doença localizada pode ser curativa em até 90% dos pacientes. A possibilidade de detecção apenas pelo toque clínico só é possível se a doença estiver avançada, reforçando a importância dos exames de imagem. Atualmente, o tempo para definir o diagnóstico e iniciar o tratamento pode ser de mais de dois meses no serviço público de saúde, o que demonstra a necessidade de agilizar todo o fluxo diagnóstico e terapêutico.
Com base nos dados do Encare, a SBU propõe a realização de rastreamento em pessoas com mais de 55 anos que apresentem os principais fatores de risco associados, como tabagismo, obesidade, hipertensão, história familiar positiva de carcinoma de células renais e síndromes hereditárias. A ideia é que essas pessoas façam um ultrassom abdominal uma vez ao ano para tentar diagnosticar precocemente a existência de um tumor antes do aparecimento dos sintomas. Contudo, especialistas argumentam que não existem estudos científicos que comprovem que o rastreamento reduz a mortalidade, e nenhum outro país do mundo realiza rastreamento do câncer de rim em população geral. A ampliação da informação sobre a doença permanece, assim, como estratégia fundamental para que os pacientes identifiquem a doença mais cedo e iniciem o tratamento rapidamente.


































