Conheça o candidato ao GDF: José Roberto Arruda (PSD)

Foto: TV Globo

Por Rebeca Luisy

O Partido Social Democrático (PSD) oficializou José Roberto Arruda como candidato ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026. Engenheiro eletricista e servidor de carreira, Arruda já exerceu os cargos de senador, deputado federal e governador do DF, entre 2007 e 2010, e busca retornar ao Palácio do Buriti com um discurso baseado na experiência administrativa e na recuperação da capacidade de investimento do governo.

A situação jurídica do candidato, no entanto, ainda é acompanhada pelas autoridades eleitorais. Apesar de ter sido confirmado em convenção partidária, Arruda aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de disputar o pleito, em razão de processos relacionados à sua trajetória política. O prazo para a apresentação das candidaturas à Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto.

Durante o primeiro debate entre os candidatos ao GDF, Arruda afirmou que o equilíbrio fiscal deve ser o ponto de partida de uma eventual gestão. Entre as prioridades citadas estão o corte de gastos, a redução de cargos comissionados, a reorganização do Banco de Brasília (BRB) e a retomada da vocação da instituição como agente de desenvolvimento do Distrito Federal e do Entorno.

Na área da saúde, o candidato propôs alterar o modelo de gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), contratar mil médicos e construir hospitais em regiões como Recanto das Emas, São Sebastião e Sol Nascente. Para a educação, defendeu a nomeação de professores aprovados em concurso, a ampliação das escolas de tempo integral, a retomada de laboratórios de informática e a criação de bolsas para estudantes universitários.

A mobilidade urbana também ocupa espaço central no programa apresentado por Arruda, que mencionou a expansão do metrô, a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos entre o aeroporto e a W3 e a criação de novas alternativas de transporte para as regiões administrativas. Com propostas voltadas à infraestrutura e à reorganização da máquina pública, o ex-governador tenta recuperar espaço no cenário eleitoral, enquanto enfrenta o desafio de conciliar a experiência acumulada com as controvérsias jurídicas e políticas que ainda cercam sua candidatura.

O principal escândalo associado ao nome de José Roberto Arruda é a Operação Caixa de Pandora, deflagrada em 2009 e também conhecida como “mensalão do DEM”. A investigação apontou um suposto esquema de corrupção envolvendo integrantes do governo do Distrito Federal, empresas contratadas pelo poder público e deputados distritais, com suspeitas de pagamento de propina em troca de apoio político. O caso levou ao afastamento de Arruda do cargo de governador em 2010 e resultou em condenações por improbidade administrativa em diferentes processos.

Arruda também foi condenado por falsidade ideológica, em processo relacionado à elaboração de recibos de supostas doações para justificar valores recebidos de Durval Barbosa, personagem central das investigações. Em decisões posteriores, a Justiça manteve condenações ligadas à Caixa de Pandora, com suspensão de direitos políticos, pagamento de multas e reparação de danos ao poder público; ao mesmo tempo, decisões específicas do Supremo Tribunal Federal anularam uma condenação no caso conhecido como “farra dos panetones” por questões de competência judicial. A defesa do ex-governador contesta as acusações e recorre das decisões, enquanto a situação jurídica permanece no centro da discussão sobre sua candidatura ao GDF em 2026.

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