
Por Rebeca Luisy
O candidato Expedito Mendonça, do Partido da Causa Operária (PCO), entra na disputa pelo Governo do Distrito Federal com uma plataforma marcada pela defesa da estatização de serviços essenciais e pela crítica ao sistema financeiro. Aos 65 anos, o servidor público federal aposentado e dirigente sindical participa pela primeira vez da corrida ao Palácio do Buriti, após ter concorrido ao Senado pelo Distrito Federal em 2014 e 2022.
Entre as principais propostas apresentadas pelo candidato está o não pagamento da dívida pública, medida que ele considera necessária para ampliar os investimentos sociais e reduzir a influência dos bancos sobre o orçamento público. Mendonça também defende a recomposição imediata dos salários dos servidores e afirma que a atual política econômica limita a capacidade de atuação do poder público.
Na área de serviços públicos, o candidato propõe a reestatização da Companhia Energética de Brasília (CEB), além do fim do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF). A proposta do PCO prevê ainda a estatização de setores considerados estratégicos, como transporte, saúde e educação, com o objetivo declarado de ampliar o controle estatal e garantir atendimento universal à população.
Mendonça também apresentou mudanças na estrutura administrativa do Distrito Federal. Ele defende o fim da indicação política dos administradores regionais e a escolha desses gestores por meio do voto popular. A proposta inclui maior participação dos moradores na definição do orçamento e no acompanhamento das decisões do governo, em um modelo que o candidato associa ao controle direto da população sobre a administração pública.
A chapa do PCO tem Valmir Barbosa, bancário aposentado do BRB, como candidato a vice-governador. De acordo com informações divulgadas sobre o registro eleitoral, Expedito Mendonça declarou R$ 5 mil em bens à Justiça Eleitoral; sua candidatura utiliza o número 29. Com um discurso socialista e voltado à mobilização dos trabalhadores, o candidato busca apresentar-se como alternativa de oposição ao modelo tradicional de gestão e às alianças políticas predominantes no Distrito Federal.
Até o momento, não há registro, nas fontes consultadas, de que Expedito Mendonça responda pessoalmente a investigação ou processo relacionado a escândalos de corrupção. O principal episódio que alcança sua campanha está ligado ao próprio Partido da Causa Operária (PCO): a Polícia Federal investiga suspeitas de desvios de recursos dos fundos partidário e eleitoral, com apurações sobre possíveis irregularidades na contratação de serviços e na movimentação de valores. A investigação tem como principal alvo o presidente nacional da legenda, Rui Costa Pimenta, e o partido nega as acusações.
No cenário político do Distrito Federal, Expedito Mendonça também se envolveu no debate sobre a crise do Banco de Brasília (BRB), ao classificar como “crime de enorme gravidade” a possibilidade de utilização de terras públicas para cobrir prejuízos relacionados a operações com o Banco Master. O candidato acusou a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha de ter conhecimento das irregularidades, mas essas declarações representam posicionamento político, e não uma acusação formal contra Mendonça nem prova de seu envolvimento nos fatos investigados. Até o momento, portanto, é necessário distinguir a investigação que atinge dirigentes do PCO das manifestações públicas feitas pelo candidato durante a campanha.







































